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Crescer na Controvérsia

Paula Lacombe
Mesmo com filhos tão pequeninos, é comum que os pais interessados em matricular seus filhos na Pereirinha manifestem certas dúvidas e façam as mesmas perguntas: É verdade que na Sá Pereira não tem prova? ... que tem muita arte e por isso é livre demais? ...que só tem brincadeira? Será que meu filho vai conseguir passar bem para outra escola quando sair daqui?
Essas e outras perguntas sempre me levam a pensar sobre que modelo de escola os pais querem para as crianças. Isso é subjetivo, pois depende muito do que desejam para eles e por isso as respostas tendem a variar em função da diversidade de opiniões, crenças, formação e expectativas que trazem.
No entanto, costumo dizer que para estar na Sá Pereira é preciso que você acredite numa educação que busca preparar as crianças para a vida, para a construção de relações pautadas em amorosidade, no respeito, na solidariedade, no espírito coletivo, no vínculo com o outro e com a aprendizagem. Nessa escola as crianças aprendem a aprender, a buscar os caminhos que as conduzirá às suas respostas, a se posicionar criticamente, a entender que a fala do adulto é muito importante, mas que a sua opinião e a do seu companheiro também são especiais. É também um lugar que compreende as linguagens artísticas como meio de expressão essencial aos seres humanos.
Nos diferenciamos da escola que alimenta uma mesma expectativa para todos na turma, que não percebe que cada um traz uma história de vida, que tem o seu percurso, que é individual, e que precisa ser considerado e respeitado. Essa diversidade nos é bem-vinda, pois é na troca com o diferente que nos conhecemos e aprendemos a conviver com o outro. E essa troca e a convivência são da essência da educação.
As crianças trazem consigo a curiosidade e ela deve ser mantida e instigada pelos professores. Essa curiosidade é importante para que elas continuem querendo desvendar o mundo. Para isso, é fundamental o investimento na capacitação continuada da equipe de professores. Deve ser valorizado o professor que considera a criança em suas dimensões social, emocional e cognitiva e que aposta na capacidade que ela tem de construir o conhecimento. Um professor que sabe e acredita que criança aprende brincando, pois é através da brincadeira e do exercício da criatividade que elas experimentam o mundo, lidam com novos conhecimentos e que vivenciam, simbolicamente, diferentes papeis. Um professor que constrói sentidos, que indica um caminho, que torna a aprendizagem instigante e prazerosa, que seleciona criticamente o que vai apresentar às suas crianças, que as estimula a fazer perguntas e a buscar respostas. Ser professor significa viver intensamente o tempo presente, com sensibilidade e consciência, valorizando os saberes, os valores e a cultura das crianças, procurando entender o que sentem, levando-as a acreditar na importância de um mundo mais justo e saudável para todos.