Dezembro de 2012

A proposta

O desafio de registrar com brevidade as circunstâncias do cotidiano, fez com que a F5TB experimentasse produzir suas próprias crônicas. Baseadas nas pequenezas do dia-a-dia, pensando nas gafes que tantas vezes cometemos, nas situações cômicas vividas, nos momentos “saia-justa” e também nos mais intensos, a proposta que motivou esta produção foi criar seu texto tendo em mente Paquetá como cenário, já que tinham uma variedade de referências deste espaço.
Assim, selecionamos alguns textos para essa publicação.

Um dia de pouca sorte?

Filipe Sá

Jilson perdeu a carteira.
Um garoto está seguindo-o.
A bicicleta dele quebrou e ele chegou numa rua sem saída.
O que mais pode acontecer?

Numa noite chuvosa em Paquetá, Jilson está numa sorveteria pagando e sai. Jilson pega seu capacete, monta na bicicleta e pedala, pedala e pedala, até que vê um garoto seguindo-o. Ele acha que é um ladrão. Então, ele bota a mão no bolso e não acha sua carteira. Procura no outro bolso e também não acha. Procura no casaco e não encontra, até que bate numa árvore, cai e quebra a bicicleta. Sai correndo pela rua e só depois percebe que está completamente sozinho com o garoto numa rua sem saída. Resolve parar e perguntar para o garoto:
- O que você quer? Eu perdi minha carteira!
- Mas é isso...
- Pode ficar com tudo, meus óculos, meu relógio, minha aliança...
- Pera, eu só...
- O que você quer?
- Pera! Eu tô..
- Eu sei, você tá com um revólver!
- Não! Deixa eu falar!
- Tá! Calma, calma!
- Você perdeu sua carteira na sorveteria e eu peguei para te dar!
- Ah, tá, desculpa!
- Aqui está sua carteira.
Jilson pegou sua carteira e seguiu para casa envergonhado.

Assustando minha professora

Julia Weinman

Minha escola resolveu fazer uma excursão para Paquetá. Chegando lá, fomos à piscina, à sorveteria e também a um parque chamado Darke. Foi muito legal. Passamos por uma caverna e, do outro lado do parque, pudemos ver a Baía de Guanabara inteira. Na volta passamos por um cara que estava limpando caranguejos. As três turmas foram ver os siris. Todos quiseram pegar um na mão. Eu também peguei. Gostei tanto, que o cara me deu. O pior de tudo é que o siri estava vivo!!! Fui andando com o siri na mão atrás de minha professora, chamada Janaina. De repente uma amiga chegou atrás de mim falando para eu colocar o siri no ombro da minha professora. Eu não queria, mas pus só para ver o escândalo que ela faria. Coloquei. Ela não percebeu nada. Até que um garoto que tinha visto tudo, falou para ela sobre o siri.
- Tia, tem um siri no seu ombro!!! A professora, achando que era mentira, disse:
- Meu filho, pare de falar bobagem. Como teria um siri no meu ombro?
- Mas tia, tem sim, e ele está subindo no seu pescoço.
- Pare com isso, fala sério!
Depois de alguns segundos minha professora percebeu que tinha alguma coisa descendo até chegar na sua blusa. Percebeu que o garoto estava dizendo a verdade. Começou a berrar de medo, batendo no siri para ele cair. Todo mundo começou a rir. Depois que o siri caiu, a professora quis saber quem tinha colocado o siri em seu ombro. E o garoto apontou imediatamente para mim e para minha amiga Ana Clara.
Quando chegamos no hotel, nem preciso contar o que aconteceu...

Pescando o sucesso

Luisa Jefferson
Era uma vez um pescador que morava em Paquetá. Ele se chamava Pedro Paulo Parafalho. Um dia, sua mulher falou:
- Se você, Pedro Paulo, não voltar para casa com um peixe bem grande para alimentar seus seis filhos, não vai dormir em casa. Pedro ficou aflito. Passaram-se três horas e nenhum peixe veio. Passou o dia inteiro e nada.
- Ai meu Deus! Não durmo em casa esta noite. – pensou Pedro.
Ele decidiu ir à Pedra da Moreninha para olhar toda a Paquetá. Acabou adormecendo. No dia seguinte, um homem chegou até ele e puxou conversa:
- Você mora aqui?
- Bem, não na pedra, mas moro aqui em Paquetá. – respondeu Pedro.
- Você gostaria de participar da novela “A Moreninha”? Não é um papel tão grande, mas todo papel é importante. – falou um dos produtores.
- Mas é claro que aceito! – exclamou Pedro.
- Qual seu telefone?
- Não tenho telefone, mas moro na casa azul, 801, aqui mesmo nesta rua.
- Tá bom. – disse o homem.
Pedro vai para casa contar a notícia:
- Amor, você não sabe o que...
E é imediatamente interrompido pela mulher que estava no auge da irritação:
- SEU......VÁ EMBORA!!!
Pedro faz a novela e fica super rico. A mulher recebe uma televisão de Paulo com um bilhete que dizia para ela colocar no canal 9, na terça, às 22h.
Ela assiste e se surpreende:
- É ele!?! Como!!!
Pedro casa outra vez, aparece para levar as crianças e fica super feliz.
A mulher continuou vivendo em Paquetá, onde conseguiu um emprego como camareira no Hotel do Farol.

Passeio infantil

Bernardo Guimarães

Uma escola faz um passeio à Paquetá... já viu, né?

Depois de um dia muito agitado as crianças não querem dormir. As professoras esbaforidas se reúnem:
- Eles são incontroláveis!
- Não dá mais!
- Ei!!! O que é isso?! Vamos lá! Eu, Beth e Andréa Nívea ficamos com os bagunceiros dos garotos e vocês duas ficam com as santas das garotas – diz Carla para Andréa Travassos e Cecília.
- Ok! – concordaram todas.
Andréa Travassos e Cecília vão tentar acalmar as garotas. No caminho Cecília fala para Andreia:
- Fique tranquila, elas são calmas...
Chegando lá se surpreendem com as garotas. Elas estão correndo e dando berros histéricos:
- Ahhhhhhh!!!!!!!!!!!
Cecília fica aflita.
- Quietas!!!! – grita Andréa.
As garotas se acalmam.

Na parte dos meninos...
Com os meninos não foi tão fácil. Carla, Beth e Andréa bolam um plano esperando o pior. Mas chegando lá o pior está três vezes pior que o pior: três meninos estão fazendo uma guerra de travesseiros!!! Quando as professoras chegaram, viram várias penas voando.
- Ai, que horror!!! Vamos logo para os outros bagunceiros, depois nós voltamos. – comanda Carla.
Até que com os outros foi um pouquinho fácil, elas contaram uma história de garotos que eram muito bagunceiros que... haviam morrido queimados!!!
Maaassss... voltando à guerra de travesseiros.... As professoras começaram a gritar:
- Buuuuuuuuuu......uuuuuuu!!!! Se vocês não forem dormir, nós vamos pegar vocês....
Eles foram correndo para o quarto.
Finalmente, depois de tanto esforço, todos foram para seus quartos. E para a surpresa das professoras, dormiram como uns anjinhos.
Ou não?

Uma conversa sem preocupações

Guillermo Aiex

Uma conversa entre amigos é sempre uma coisa descontraída, às vezes, até demais...

Dois amigos, sentados à beira de uma praia em Paquetá, olham para o horizonte e veem uma pequena nuvem escura:
- Olha Marcos, vai chover forte! O céu vai cair!
- Fernando, não fala besteira! Se chover tanto quando você acha que choverá, te darei dez reais.
- Apostado! – dizem os dois!
- Vai perder! Vou ganhar dez reais – diz Marcos.
- Pensa errado, amigão!
E a chuva continua vindo... E eles não percebem:
- Fernando, não tenha fé, os seus dez reais serão meus!
- Você fala demais! Marcos, seu sonhador!
- Não tente, você já perdeu.
- Acha... só sonha!
- Não, a chuva vai ser muito forte!
Enquanto isso a chuva não para de crescer e vir... Eles não percebem.
- Me deu uma fome. – diz Fernando.
- Em mim também.
- Vamos para minha casa lanchar!
- Bora!
A chuva que não para de crescer e vir, mas continua sendo despercebida... E eles vão para casa.
Chegando lá, a mãe de Fernando não estava em casa, porém tinha deixado um prato de biscoitos no balcão. Depois de comer eles vão dormir.
A chuva super forte, motivo da aposta, cai e passa despercebida por eles.

O caso de José

Lucas Sampaio

José é azarado mesmo.
Conseguiu um encontro em Paquetá, mas
levara um fora por conta de sua distração.

Era do Rio Grande do Sul, não conhecia nada de Paquetá. Saiu da barca e a primeira coisa que viu foi uma linda mulher. Foi logo dando em cima dela. Conseguiu marcar um encontro para o dia seguinte. Satisfeito, foi logo para o hotel. No dia seguinte, acordou com um sorriso no rosto, tomou café da manhã e se arrumou para o encontro. Saiu do hotel e foi se encontrar com a tal boazuda, todo metido. No caminho viu muitos olhares voltados para ele e crianças rindo dele. Achou que era um costume local. Quando chegou à sorveteria, antes que a mulher o visse, disse:
- Olá, minha mina de diamante!
Quando a mulher voltou-se para ele, deu um berro, bateu no José e saiu correndo.
José, decepcionado, se perguntava porque aquilo acontecera, afinal penteara o cabelo e passara colônia! De volta ao hotel, o gerente dirigiu-se a ele e disse:
- Como ousa entrar no meu hotel assim?
- Assim como?! Deprimido?! – perguntou José.
- Não, né?! Você já se olhou no espelho? – perguntou o gerente indignado.
Então José se olhou e viu que estava só de cueca.

O trabalho sobre a ilha

Nina Tetü

Numa escola em Paquetá, a professora disse que ia ter um trabalho sobre a ilha. Todos ficaram animados. Surgiram perguntas como:
- Pode escrever sem parágrafo?
- Tem que ser com caneta?
- É para desenhar?
- Posso escrever sobre o meu cachorro, o Paquetá?
- Posso ir ao banheiro?
A professora, confusa, disse:
- Crianças! Acalmem-se! Vamos fazer um mural com os trabalhos e desenhos caprichados!
De repente, uma criança com careta diz:
- Tia, posso ir ao banheiro?
- Não! – respondeu a professora.
- Por quê?
- Por que estou explicando um trabalho!
- Mas a coisa tá feia!
- Tá bom! Tá bom! Vá logo!
A professora olhou para a classe e perguntou ironicamente, apontando para a porta:
- Mais alguém quer ir?
Uma menininha levanta o dedo e sai de sala. Após a saída da menina a professora prosseguiu “Bom, vamos ao trabalho!”, quando de repente um menino pergunta:
-O trabalho era sobre o que mesmo?

Um ladrão em Paquetá

Gabriel Braga

Um dia, um charreteiro chamado Joca estava andando pela ilha de Paquetá à noite, quando ouviu alguém vindo pelo outro lado da rua. Achou que era um ladrão e pensou: “Ai, meu Deus, vou ser assaltado, vou perder todo o dinheiro que ralei para ganhar no dia de hoje."
Enquanto isso o suposto ladrão se aproximava. “Será que eu corro? Ai meu Deus, se eu correr e ele tiver uma arma, acaba atirando em mim. É melhor ser roubado do que morrer."
O tal ladrão se aproximava mais. Foi então que teve uma ideia, resolveu se atirar no mar. Mas pensando bem, por conta da sujeira da água continuou caminhando.
O ladrão estava ainda mais perto.
Joca pensou em correr para casa, pois se fosse rápido, o ladrão não o acertaria. No entanto, não deu tempo, o ladrão tinha chegado e quando estava mais perto...
- Boa noite, Joca.
- Ah, boa noite, seu padeiro!
“Ufa! Pensei que fosse um ladrão.” – pensou o padeiro.

Festa

Luana Baldacci

Em uma divertida excursão para Paquetá, as crianças de uma escola queriam fazer uma festa no quarto depois do jantar. Elas jantaram e foram correndo para o seu quarto para se arrumar.
Quando todos estavam prontos, pegaram seu ipod e botaram música no maior volume. Os alunos ficaram descabelados, conversando, comendo bala, gritando como loucos e dançando alegremente. As professoras, responsáveis por cada quarto, foram ver se as crianças estavam dormindo. Acabou que elas ainda estavam acordadas. As professoras, de olhos arregalados, deram uma bronca monstruosa nos alunos, pois estavam um tanto agitados. Mandaram que fossem se deitar. Em algum momento estas crianças festeiras tinham que dormir, só que isso não foi possível porque resolveram ouvir outras músicas, de antigamente, sabe? Então foram todas para o corredor e uma olhou para a outra. Uma estava toda babada, outra descabelada, uma coisa mais maluca que a outra! Foram falar com as professoras e acabaram descobrindo que as professoras é que queriam fazer festa. Estavam animadérrimas e acabou que os alunos pegaram todas elas no flagra.

Promoção

Luis Magalhães

Um dia como todos em Paquetá. Bicicletas sendo alugadas por aquele velhinho com cara de maluco. Na verdade, não estavam sendo alugadas. Apenas estavam lá, mofando, sem ninguém se aproximar. Começa a se decepcionar. Suas bicicletas eram ruins? Ou o problema seria sua cara de maluco? Foi checar as lojas perto dali. Tudo vazio. Perguntou a alguém por que não tinham clientes. Responderam-lhe que havia uma promoção na sorveteria da rua de baixo.
Nessa hora, até o velho pensou:"será esse sorvete tão bom assim?"