Relatório de Grupo do Primeiro Semestre de 2012 / Projeto: O Bicho Inventor

Turma do Raio

Começando o Ano

"Dança labareda esquentando tudo, calor vermelho transformando o mundo..."
Foi com o calor dos lampejos provocados pelo fogo, que as ideias para nossas pesquisas se acenderam e envolveram nossos pequenos com as primeiras invenções da humanidade. Um raio que acende o fogo e o fogo que transforma permitiu às nossas crianças conhecerem um trecho da nossa História. Instigados, pesquisamos e embarcamos em propostas que renderam bons desdobramentos e que refletiram no envolvimento das crianças com os assuntos abordados.

Quem Inventou o Carnaval?

Reencontros e novidades marcaram a primeira semana de aula. Muito alegres, as crianças reviram antigos amigos e conheceram os novos. Familiarizadas com a rotina, embarcaram nas propostas e sugeriram outras trazendo energia e felicidade. E foi nesse clima que levantaram suas hipóteses sobre quem inventou o carnaval, esquentando os tamborins e as discussões sobre o projeto institucional "O Bicho Inventor". Algumas achavam que podia ter sido o Jean, nosso professor de música, outras o pai do Fred, criador do samba vencedor, e também "o vovô, porque ele também é velho como o carnaval".

Quanta Gente!

Entusiasmadas por já saberem quantos amigos faziam parte da turma, as crianças contavam, todos os dias, quantos estavam presentes e ausentes na escola. Ao apreciarem uma foto do bloco de carnaval da Sá Pereira e serem estimuladas a estimar quantas pessoas estavam desfilando, concluíram que com tanta gente no bloco, não tinha como contar, mas que dava para perceber que dentro daquela folia cabia muita alegria!

Turma do Raio

A escolha de um nome para a turma veio acompanhada de muitas expectativas. A maioria das crianças parecia já saber que nome gostaria de dar e, apegadas às suas ideias, Raio veio para ficar: Turma do Raio! E, como num "lampejo", elas contribuíram com o que já conheciam sobre esse fenômeno da natureza.

Projeto

Inventor de Pararraio

A Turma conheceu Benjamin Franklin, o inventor do pararraio. Depois de aprenderem sobre o que um raio faz quando é atraído pela haste metálica, as crianças propuseram que construíssem o seu próprio pararraio e puseram a mão na massa selecionando sucatas, pintando papelão, para imitar a cor metálica, e usando o próprio metal para fabricar o brinquedo de sucata.

É Fogo!

As crianças assistiram ao filme "Mogli, o menino lobo" e perceberam que apenas Mogli, um filhote de homem, conseguiu dominar o fogo, provocado por um raio. Perceberam que com esse artifício muitas mudanças foram possíveis, como o cozimento dos alimentos, o aquecimento e a iluminação em volta da fogueira.

Ideia!

As Turmas do Raio e dos Inventos tiveram um encontro caloroso para trocar informações sobre o que estavam estudando. Só faltou mesmo uma fogueira para acender mais o entusiasmo das conversas sobre os hábitos dos homens da caverna e sobre como aprenderam a dominar o fogo. As crianças gostaram de aprender, com os amigos da outra turma, que com os pedaços de madeira queimada, identificado por todos como carvão, o homem das cavernas podia fazer seus registros nas paredes.

Fogo de Palha

Vivemos uma grande aventura no pátio da escola. Chegando lá, as crianças encontraram palha, gravetos e folhas e se perguntaram como tudo isso tinha ido parar ali. Rapidamente concluíram que só poderia ter sido um homem das cavernas! Todas se animaram, recolheram gravetos do chão e, como o homem primitivo, tentaram acender a palha atritando os gravetos, usando um dos primeiros instrumentos inventados para fazer o fogo.

Raio na Floresta

Para incrementar nossas pesquisas, fizemos um passeio àFloresta da Tijuca para conhecer uma caverna de perto. E na volta, as crianças escreveram um texto coletivo:
"Nossa turma andou bastante na trilha da Floresta da Tijuca para conhecer uma caverna. Aprendemos que uma gruta é diferente de uma caverna porque nela existe entrada de luz e que as duas são diferentes de um túnel porque foram feitas pela natureza e não pelo homem. A trilha estava cheia de lama e o chão tinha muitos buracos formados pelas gotas de água que caíam. Como estava muito escuro, acendemos nossas lanternas, fizemos fogo e conseguimos ver um cavalo desenhado na parede.
O José, nosso guia, contou que esse desenho pode ter sido feito por algum escravo que tenha se escondido lá há muito tempo atrás.
Depois, fizemos um piquenique. Foi um passeio cheio de aventuras e muito importante para a nossa turma."

Raio com Ar

“Estou vivo mas não tenho corpo
Por isso é que eu não tenho forma
Peso eu também não tenho
Não tenho cor…"

A música “O ar”, de Vinícius de Moraes, foi a trilha sonora da experiência realizada pela turma para observar a necessidade do oxigênio para o fogo permanecer aceso. Atentas, as crianças perceberam que, mesmo invisível, ele ocupa todo o espaço e é muito importante para a vida.

Invenção da Cerâmica

dando continuidade ao projeto, pesquisamos sobre a invenção da cerâmica e descobrimos que em algumas tribos, depois da descoberta do fogo, passaram a produzir utensílios de barro como vasos e recipientes para armazenar os alimentos. Na sala de artes, as crianças manusearam argila e criaram objetos fazendo lembrar os inventos dos nossos ancestrais.

Na Boca do Forno

Ainda animada com o que havia aprendido sobre a invenção da cerâmica, a turma visitou o ateliê da ceramista Taciana Amorim e conheceu, de pertinho, um torno, um forno e uma grande variedade de peças. As crianças aprenderam que para que as peças possam ser queimadas é preciso que o barro tenha secado, o que pode demorar até uma semana. Aprenderam também que biscoito é o nome dado à primeira queima das peças antes de serem esmaltadas e passarem pela segunda queima. E assistindo ao filme "Kirikou - Os animais selvagens", de Michel Ocelot e Bénédicte Galup, elas observaram o quanto o processo de queima é diferente no ateliê e nas antigas aldeias.

Lá vem História...

Ao escutar a história "Um Porco Vem Morar Aqui", de Cláudia Fries, as crianças aguçaram o gosto pela leitura fazendo conexões com o que estavam aprendendo e ampliando seus conhecimentos acerca da nossa língua. Atentas à narrativa e às ilustrações, reconheceram elementos presentes em nossas pesquisas quando o personagem Porco surpreendeu seus novos amigos com presentes feitos com argila e biscoitos quentinhos saídos de um forno.

Nem Pensar!

Pesquisamos sobre os hábitos dos homens pré-históricos e descobrimos que para conservar a carne da caça era preciso secá-la e, também, que os homens eram nômades porque cada vez que a caça acabava eles precisavam se deslocar em busca de mais alimento. Assim que Tom soube dessa informação, foi logo comentando com a turma: "Geladeira naquele tempo, nem pensar!" Levando a turma a pensar em como fazíamos sem determinadas invenções que hoje fazem parte de nosso cotidiano. Animados com toda essa conversa, fechamos a data do churrasco que combinamos fazer na escola.

Visita especial

Antes do churrasco tão esperado pela turma, recebemos a visita de João e Simone, pais do Joaquim, que vieram nos contar sobre a viagem que fizeram à Africa do Sul. Ao apreciar fotos de animais, algumas crianças fizeram referência aos que existiam no tempo das cavernas contextualizando o tema com nossas pesquisas.

Festa Pedagógica

Que manhã gostosa foi a de sábado quando pais, filhos e professores das Turmas do Patinete, Sol, Inventos e Raio passaram no dia da Festa Pedagógica. Todos se divertiram compartilhando momentos prazerosos nas oficinas de arte e música, que incluíram pinturas, esculturas de argila e muita cantoria! A exposição dos trabalhos de artes das crianças também emocionou a todos e pôde traduzir parte do processo relacionado aos projetos de pesquisa das turmas, percorrido com muito envolvimento pelas crianças.

Fogo Pegou!

Finalmente havia chegado o dia de compartilhamos uma tarde diferente e animada. Preparamos um churrasco, de verdade, na escola! E depois de muita comilança, fizemos um texto coletivo:
"Nossa turma fez um churrasco que tinha peixe, carne, frango, pão, queijo e banana. Nós não precisamos caçar nenhum bicho, como faziam os homens das cavernas, pois compramos as carnes no supermercado e guardamos na geladeira. Depois, na escola, contamos quantos tipos de alimentos tínhamos levado e escrevemos o nome de cada um deles.Tinha muita coisa! Também vimos como o Alexandre acendeu a churrasqueira. Ele usou carvão, álcool e só um fósforo para o fogo pegar rapidinho e levantar uma labareda! Na churrasqueira tinha uma grelha onde foram assados os espetinhos de carne, frango, peixe e queijo que comemos com farofa. Nosso churrasco foi muito legal, nós adoramos!"
Todo esse tempo em que estivemos envolvidos com as propostas relacionadas ao projeto da turma, as crianças se interessaram pelo universo letrado por meio de Jogos de Forca, Memória de nomes e dos próprios registros escritos de palavras contextualizadas com o tema de nossa pesquisa, o que as ajudou na aquisição da leitura e escrita.

Esculturas

A Turma aprendeu que na Idade dos Metais os homens dominaram a técnica da fundição e que hoje em dia os escultores continuam utilizando-a para dar forma às suas obras. Para ilustrar nossa pesquisa, conhecemos o escultor e pintor Alberto Giacometti. As crianças apreciaram algumas de suas obras e moldaram, em papel laminado, as suas próprias esculturas.

Museu do Paço Imperial

Visitamos a exposição "Teimosia da Imaginação", no Museu Paço Imperial, e apreciamos obras de dez artistas brasileiros que utilizaram diferentes materiais para compor suas peças. Sucata, lona de caminhão, madeira e, especialmente, a cerâmica chamaram a atenção das crianças, ampliando seus conhecimentos e sensibilidade acerca da singularidade exposta nas produções de cada artista.

O Sertão de Luiz Lua

Envolvida com os preparativos para o nosso arraial, a turma conheceu a história do inventor do baião, Luiz Gonzaga. Interessadas, as crianças ouviram as músicas "Candieiro", "Riacho do Navio" e "Asa branca", entre outras que foram apresentadas no dia da festa. Também apreciaram uma paisagem típica do sertão, tão citado nas canções do Velho Lua, e ficaram impressionadas com a terra e a vegetação secas, concluindo que a falta da chuva favorece esse tipo de cenário. Aproveitamos para produzir trabalhos de artes inspirados nesse tema.

Finalizando o Semestre

Com os festejos juninos, encerramos nosso semestre bem acompanhados e remexendo as cadeiras ao som do baião, o grande invento do nosso querido Luís Gonzaga! Agora, uma pausa para desfrutar das conquistas, renovar as energias e abrir espaço para o novo chegar. Deixamos aqui, um abraço carinhoso para cada um de nossos pequenos.

Expressão Corporal

Em ritmo de carnaval!

Iniciamos o semestre esquentando os corpos para o desfile do nosso bloco.
Reunimos os grupos em roda, realizamos movimentos em diferentes direções e níveis ao som de algumas marchinhas. Depois, cantamos e dançamos ouvindo o samba vencedor.

Brincando com sombra

O fogo iluminava as cavernas e criava sombras em suas paredes. Com essa informação, as crianças participaram de uma aula diferente. Divididas em grupos, dançaram e criaram movimentos atrás de um tecido e os amigos apreciaram suas sombras. Num outro momento aproveitamos para criar, a partir de movimentos sugeridos pelas crianças, a nossa dança ao redor do fogo.

Caça e caçador

O homem necessitou caçar para sua sobrevivência. Pensando nisso nos transformamos em caças e caçadores e exploramos os movimentos de avançar, recuar e rolar em diferentes direções.

Moldando o corpo

Para criar uma obra em cerâmica é preciso moldá-la na forma desejada. A partir dessa ideia, propusemos que as crianças fossem divididas em duplas para brincar de moldar o corpo do colega. Pontuamos a importância do cuidado com o outro nessa manipulação ao criarem suas figuras. Muito criativos, utilizaram movimentos em diferentes níveis e exploraram o equilíbrio.

Em ritmo de xote e baião

Encerramos o semestre ao som de xote e baião. Embalados pelas músicas "Riacho do Navio" e "Forró no escuro", de Luiz Gonzaga, experimentamos alguns passos e montamos as coreografias para nossa Festa Junina.

Música

Viva o carnaval!

Inspirados pelo samba campeão de 2012, trouxemos uma mala surpresa repleta de invenções citadas na letra da música e também contamos a história "Te cutuco, não cutuca" que tenta justificar, de forma bem humorada, o surgimento do samba.

Raio x Trovão - Luz e Som

Ao perguntar qual seria a diferença entre raio e trovão, a meninada tinha a resposta na ponta da língua. Tentando responder porque vemos o raio relampejando e só depois ouvimos o som da trovoada, esbarramos nas diferenças de suas respectivas velocidades. Utilizando a Lata-Trovão e os interruptores de luz, tentamos reproduzir o processo numa divertida brincadeira.

Sampler e Silêncio

Coletamos sementes, galhos, conchas e pedrinhas e iniciamos a exploração sonora desses elementos da natureza atentando para seus diferentes timbres, alturas e intensidades. Para registro e futuras atividades de composição "sampleamos" esses sons criando um banco sonoro.
Depois descobrimos que os sons, em suas primeiras formas musicais e de linguagem, teriam sido inventados pelos homens das cavernas que reproduziam o efeito do eco, imitavam bichos e barulhos da natureza. Aí nos veio outra questão: o que existia antes do som? Descobrimos que "o silêncio foi a primeira coisa que existiu, um silêncio que ninguém ouviu" (Arnaldo Antunes). Mesmo sendo impossível ouvir o silêncio, descobrimos que lidamos com ele o tempo todo no fazer musical. Tocando nosso tambor, por exemplo, usando o comando mão / baqueta, concluímos que a mão marca, na verdade, o silêncio e com ele ganhamos fluidez e precisão.

O som nas Cavernas

Depois da nossa Brincadeira da Caçada, na qual as crianças andavam imaginariamente acompanhando o pulso musical marcado com as mãos e descobrindo as propriedades do eco, assistimos ao trecho do vídeo do Hermeto Pascoal, "Sinfonia do Alto Ribeira", presente no Youtube. Nele, o genial Hermeto e sua Banda, tira sons em ostinatos das diversas formações rochosas.

Parangolé, brinquedo-cantado.

Não é a toda hora que chegam aos nossos ouvidos um trabalho musical e didático tão bacana. As crianças ficaram interessadíssimas com o cd e dvd "Parangolé", do grupo Emcantar, que traz muitas brincadeiras musicais populares. Aprendemos a movimentação de canções e brincadeiras que as divertiram pra valer como "Eu Vou Pegar o Trem" e "Ipiaia Ipi Ipi Aia".

Luiz Gonzaga para Todos!

Em nossa Festa Junina homenageamos o centenário do Velho Lua, o nosso querido Luiz Gonzaga. Trabalhamos seu repertório de baiões, gênero que ele ajudou a criar e difundir mundo afora, bem como xotes e quadrilhas de sua autoria. As crianças aprenderam a reproduzir e identificar cada ritmo, cantar suas principais canções e, é claro, dançar um forrozinho. Afinal, For All é Para Todos!