Relatório de Grupo do Primeiro Semestre de 2012 / Projeto: O Bicho Inventor

Turma do Sol

Primeiros Contatos

A Turma do Sol é formada por um grupo de crianças interessadas, alegres e tranquilas.
A expectativa pelo início das aulas, a ansiedade pelo reencontro com os velhos amigos e a curiosidade em relação aos que chegavam à Sá Pereira fizeram parte do nosso
processo de adaptação. Aos poucos, fomos nos conhecendo, compreendendo a rotina, valorizando a harmonia
para o bom funcionamento do grupo, assim como a importância e o respeito às regras de convivência que formulamos.
Acompanhar o nascimento de um grupo amigo, solidário e que gosta de trabalhar foi emocionante! Exercitar a tolerância e o cuidado, compartilhar brincadeiras, explicando as
regras dos jogos, foi uma construção gradativa e significativa para o amadurecimento do grupo. Com essa turma, cada assunto discutido ou atividade proposta desdobravam-se
em muitas outras possibilidades enriquecendo as conversas e pesquisas realizadas.
A turma embarcou em uma grande aventura pelo período da pré história, acompanhada da Turma do Patinete. Juntos, desenvolvemos o projeto "Da pintura rupestre à escrita" e
essa parceria rendeu muitas descobertas e nos levou a explorar o tema nas diferentes áreas do conhecimento. A matemática foi reconhecida em contextos informais como contar, na roda do início do dia, quantos amigos haviam chegado ou faltado, quantos copos precisaríamos distribuir para o grupo ou quantos dias faltavam para a chegada de um passeio etc. Também problematizamos situações em que as crianças se imaginaram no tempo das cavernas e tiveram que buscar soluções para resolver problemas, assim como fizemos estimativas e trouxemos diversos conteúdos importantes por meio de jogos cantados, de tabuleiro e de cartas.
O universo das letras também foi contemplado e contribuiu para avanços significativos da turma em sua pesquisa acerca da leitura e da escrita. Registros de palavras significativas relacionadas às nossas pesquisas foram feitos em contextos diversos. Escreveram nomes de animais, de instrumentos de caça, peças de cerâmica, entre outros inventos que conheceram e contribuíram para os textos coletivos e notícias do Informe, passando a entender que a escrita tem uma função.
A pintura rupestre, considerada a primeira forma de escrita do homem, também ajudou nossos pequenos a aprimorar o desenho da figura humana e a perceber a diferença entre desenhos figurativos e abstratos. Apreciaram desenhar e aproveitaram cada proposta como um novo desafio, fosse na maneira de elaborar cenas ou de explorar novos suportes em seus trabalhos de artes.
Ao pesquisar sobre os animais pré-históricos e seu meio ambiente, as crianças vivenciaram um conjunto de fenômenos naturais e sociais indissociáveis, mostrando-se curiosas e investigativas. Fizeram perguntas e procuraram respostas às suas indagações e questões.

É Carnaval!

Um mundo de ideias para explorar, descobrir e inventar chamou a atenção da turma quando as crianças apreciaram a ilustração da capa da agenda da escola. Com a curiosidade aguçada, pensaram sobre o desenho e compartilharam muitas ideias. Nossas rodinhas foram surpreendidas com confetes e serpentinas e por histórias sobre o carnaval que as instigaram.

Ideias Para o Nome da Turma

Construímos um texto, com as palavras que estão entre aspas, sugeridas pelas crianças para batizarmos a TDM:
As crianças "espertas" (Beatriz A.) da TDM construíram um "li­vro" (Antônio) de histórias na "esco­la" (Sofia Z.), com a Clara e a "Cami­la" (Bento) e escolheram um nome para a nova turma.
Do "deserto" (Matias) ao "oá­sis" (Alice), depois de um passeio pelo "Polo Norte" (Theo), entre "nu­vens" (Júlia) e "estrelinhas" (Cecília e Rodrigo), a "lua" (Natália) e o "sol" (Aurora) viveram aventuras e praticaram "esportes radicais" (Davi). "Invenções" (Jeremias) também surgiram como a "Pantera-Cor-de-Ro­sa" (Miguel) e as "abelhas" (Beatriz S.).
Durante a votação, a luz do sol trouxe boas ideias enchendo a TDM de brilho e muita alegria. Assim, passamos a nos chamar Turma do Sol!

Turma do Sol

A escolha do nome da turma envolveu as crianças em muitas pesquisas. Elas trouxeram revistas e livros que falavam da importância do Sol. A amiga Natália mostrou, de forma criativa, o movimento da Terra em torno do Sol, explicando como acontece o dia e a noite no nosso planeta, usando como suporte duas bolas e uma lanterna.
Aproveitamos para fomentar a curiosidade de nossos pequenos trazendo algumas imagens do vídeo "Como funciona o universo: Estrelas", do Discovery Science. E conhecemos um grande invento: um pequeno painel solar.

Projeto

Projeto para Sol e Patinete

As crianças ficaram entusiasmadas com a leitura de uma revista da Turma da Mônica. Aprenderam sobre diversas fontes de energia, a começar pela do próprio corpo, tudo contado pelos personagens do Mauricio de Sousa. Na primeira história, Cebolinha é um homem das cavernas que relata experiências para se livrar do ataque de animais, sobre a descoberta do fogo, a fundição de metais e a criação de utensílios. A história abriu caminho para uma pesquisa mais apurada sobre as invenções ao longo da História.

Homem das Cavernas

Motivadas pelas aventuras do homem das cavernas, vividas por Cebolinha, a turma ampliou suas pesquisas e conheceu o personagem Lolo, do livro "Lolo Barnabé", de Eva Furnari. As crianças se entusiasmaram com a maneira bem humorada e inventiva com que a família Barnabé, que vivia no tempo das cavernas, modificou a sua vida na tentativa de se adaptar às coisas que mudaram com o tempo. No decorrer da narrativa uma frase aparecia constantantemente: "Todos ficaram felizes... mas nem tanto". Aproveitamos para perguntar porque será que a família não estava tão feliz com tantas invenções que foram surgindo, o que favoreceu uma rica reflexão sobre o consumismo.

A Vida nas Cavernas

O grupo se encantou com o livro que lemos: "A Gruta de Lascaux", de Sylvie Girardet, que mostra as pinturas rupestres. Na sala de artes, as crianças retrataram os homens das cavernas, sua arte, além de terem produzido cavernas de argila, uma moradia de nossos ancentrais. Assistiram, também, a trechos do filme "Guerra do Fogo", de Jean Jacques Annaud, que retrata um pouco da vida naquela época.

Visita Especial

Vanessa mostrou fotos de diversas pinturas rupestres que retratam a vida de nossos antepassados, tiradas por Tetê numa viagem que fez à Serra da Capivara. O mais surpreendente foram as pinturas abstratas. Será que já era uma tentativa de escrita ou alguma forma de contagem? No final, as crianças foram desafiadas a elaborar um desenho figurativo e outro abstrato como os que apreciaram nas imagens.

Gruta dos Morcegos

Fomos passear na Floresta da Tijuca e vivenciamos uma gostosa aventura na trilha da Gruta dos Morcegos e as crianças criaram um texto coletivo sobre esse dia especial. Deixamos registrado um trecho:
"... Quando chegamos à gruta, a entrada era pequena e estreita. Precisamos entrar com muito cuidado. Lá dentro era bem grande! A luz do sol passava por um buraco lá no teto. Tinha um desenho de cavalo na parede mas, não era um desenho rupestre e o nosso guia José não sabia quem tinha feito. A parede era meio molhada e caíam pingos de água do alto..."
Certamente essa experiência tornou as pesquisas sobre o projeto mais significativas para a turma.

Rupi e Siron Franco

A vida de nossos antepassados envolveu as crianças num clima de curiosidade. Todas se interessaram bastante pela opção do personagem Rupi, da história "Rupi o menino das cavernas", de Timothy Bush, que deixou de praticar a caçada de animais e passou a se dedicar ao plantio de alimentos. Com a domesticação dos animais e o surgimento da agricultura, novos inventos foram pesquisados. Nossa amiga Julia trouxe uma série de serigrafias originais de Siron Franco, chamada "Dez visões rupestres", feitas a partir de pinturas encontradas em sítios arqueológicos brasileiros, como a Serra da Capivara, revelando o interesse do artista pela arte primitiva. Propusemos uma releitura destas obras que resultou em trabalhos caprichados.

Meninos das Cavernas

No livro "No tempo das cavernas", de Ginette Hoffman, o personagem Meruti vive sua primeira caçada e se orgulha por essa conquista, enquanto Rupi, de "Rupi, o menino das cavernas", personagem de Timothy Bush, passa a se dedicar ao plantio de alimentos. Eles encheram de emoção a criançada. Esse período de transição da nossa história, quando passamos de nômades a sedentários, possibilitou inúmeras atividades relacionadas à sofisticação de ferramentas e utensílios inventados pelo homem e ao cultivo da terra e criação de animais. Elementos da natureza como pedras, gravetos, folhas e argila foram explorados com muito interesse na sala de artes.

O Trigo

As crianças descobriram que o trigo foi um dos primeiros grãos cultivados pelo homem e que com ele inventaram o pão, uma das receitas mais antigas. Inspiradas nessas informações, colocaram a mão na massa e fizeram um delicioso pão que foi apreciado por todas as turmas num encontro especial. Aproveitamos para conhecer a obra de Van Gogh, "O campo de trigo", e a sua experiência de pintura impasto.

Novo Tempo

A passagem da Idade da Pedra para a Idade dos Metais com suas descobertas fascinou as crianças. O invento da cerâmica e a possibilidade de utilizar ferramentas mais resistentes, além do cultivo da terra, foram os assuntos que mobilizaram o grupo, colocando todos em ação. As crianças tiveram uma semana animada: plantaram trigo, fizeram colagens usando elementos da natureza, manusearam argila e apreciaram imagens de utensílios que fizeram parte desse período da história.

Invenção da Roda

Uma nova e importantíssima invenção começou a ser pesquisada: a roda. Brincadeiras e atividades sobre a descoberta da roda trouxeram alegria para a turma. Por meio de propostas divertidas, garantimos um contato lúdico com a matemática. As crianças exploraram objetos que rolam e que não rolam, rolaram umas sobre as outras, carregaram alimentos e se carregaram. Depois, compararam seus pesos e experimentaram transportar esses alimentos, além dos próprios amigos, em carrinhos. Assim, a carroça construída por nossos antepassados ganhou maior sentido e a invenção da roda foi valorizada por todos.

Escrita Cuneiforme

Mais um ivento foi explorado, dessa vez, a escrita cuneiforme. E para experimentá-la as crianças exercitaram a motricidade fina e a criatividade ao receberem uma placa de argila e serem desafiadas a dividir o espaço da placa com uma espécie de cunha e a traçar símbolos, inventados por elas, com um palito de dente.

Memórias do Projeto

Pranchas que ilustram a Idade da Pedra e a Idade dos Metais foram um convite para uma avaliação sobre o projeto "Das pinturas rupestres à escrita". Nossas crianças tiveram a oportunidade de descrever essas imagens e de relembrar o processo de trabalho, revelando o que foi mais significativo e o que aprenderam com as pesquisas. Nossa amiga Cecília trouxe um DVD sobre esse período que envolveu os grupos num clima de fechamento de projeto, com imagens marcantes para todos.

Festa Pedagógica

Que manhã gostosa foi a de sábado quando pais, filhos e professores da Pereirinha passaram no dia da Festa Pedagógica. Todos se divertiram compartilhando momentos prazerosos nas oficinas de arte e música, que incluíram pinturas, esculturas de argila e muita cantoria! A exposição dos trabalhos de artes das crianças também emocionou a todos e pôde traduzir parte do processo relacionado aos projetos de pesquisa das turmas, percorrido com muito envolvimento pelas crianças.

Matemática no Sol

Entre muitas atividades que aconteciam no decorrer do projeto, a matemática foi contemplada por meio de jogos que instigaram a garotada. Uno, Batalha Simples, Pula Macaco, entre outros, levaram nossas crianças a exercitar o raciocínio, a contar e a reconhecer e valorizar os números, lidando com situações matemáticas novas e utilizando a linguagem própria dessa área do conhecimento.

Sol em Festa

Com o livro "Folclore, Danças e Ritmos do Brasil", da Ed. Abril, a turma relembrou os elementos que fazem parte dos festejos juninos. Atividades de recorte, colagem e estêncil despertaram o interesse do grupo que produziu trabalhos relacionados ao tema. Outra atividade que fizemos foi resultado de um presente que a turma ganhou da amiga Sophia Chediak - um livro que ensina como fazer dobraduras de aviões e que veio acompanhado de papéis especiais, com lindas estampas. Todos empenharam-se e com a nossa ajuda fizeram seus aviõezinhos. No pátio a farra foi grande com esse brinquedo!

Arte, Música e Brincadeiras

Com a proximidade da Festa Junina, o baião de Luiz Gonzaga animou a Turma do Sol. Nossas crianças entraram no clima, pintaram bandeirinhas, enfeitaram a sala e, nos pátios, experimentaram muitas brincadeiras tradicionais divertindo-se a valer!

Arte para Patinete e Sol

As turmas do Patinete e do Sol prepararam bonecos caipiras para fazerem parte do cenário da nossa festa junina. As crianças também se dedicaram a trabalhos que incluíram o retrato do Gonzagão e cenas de forró. Nos despedimos do semestre brincando felizes e comemorando a proximidade do nosso arraial.

As Férias Chegaram

Terminamos o semestre com nossas meninas e meninos mais crescidos. Investimos na interação entre as eles e percebemos o quanto se esforçaram para respeitar o limite do outro, compartilhar suas histórias e pontos de vista aprendendo a conviver em sintonia. Também se empenharam e deicaram-se à produções relacionadas ao projeto da turma e aprenderam com muito envolvimento e interesse sobre os mais diversos temas.
Este foi um semestre de muitas aprendizagens para nossos queridos.

Expressão Corporal

Em ritmo de carnaval!

Iniciamos o semestre esquentando os corpos para o desfile do nosso bloco.
Reunimos os grupos em roda, realizamos movimentos em diferentes direções e níveis ao som de algumas marchinhas. Depois, cantamos e dançamos ouvindo o samba vencedor.

Giros

Envolvidos com os conhecimentos sobre a Terra e o Sol, os pequenos se orgulhavam em contar cada nova descoberta. Foi assim com os movimentos de rotação e translação da Terra. Aproveitamos para experimentar girar sobre os dois pés, sobre um só, sobre uma das mãos, rolar deitados no chão em círculo para a direita e para a esquerda e em torno de um colega como os planetas em torno do Sol.

Brincando com sombra

O fogo iluminava as cavernas e criava sombras em suas paredes. Com essa informação, as crianças participaram de uma aula diferente. Divididas em grupos, dançaram e criaram movimentos atrás de um tecido e os amigos apreciaram suas sombras. Num outro momento aproveitamos para criar, a partir de movimentos sugeridos pelas crianças, a nossa dança ao redor do fogo.

Plantando o trigo para colher o pão

Aproveitando as pesquisas do grupo sobre o trigo e o pão representamos com nossos corpos o plantio, o crescimento e a colheita do trigo. Enrolamos e desenrolamos a coluna, bem como amassamos a "massa" desse alimento tão saboroso, massageando os corpos. Em seguida, em duplas, trios e até quartetos representamos alguns tipos de pães.

Em ritmo de xote e baião

Encerramos o semestre ao som de xote e baião. Embalados pelas músicas "Riacho do navio" e "Forró no escuro", de Luiz Gonzaga, experimentamos alguns passos e montamos as coreografias para nossa Festa Junina.

Música

Viva o carnaval!

Inspirados pelo samba campeão de 2012, trouxemos uma mala surpresa repleta de invenções citadas na letra da música e também contamos a história "Te cutuco, não cutuca" que tenta justificar, de forma bem humorada, o surgimento do samba.

Sampler e Silêncio

Coletamos sementes, galhos, conchas e pedrinhas e iniciamos a exploração sonora desses elementos da natureza atentando para seus diferentes timbres, alturas e intensidades. Para registro e futuras atividades de composição "sampleamos" esses sons criando um banco sonoro.
Depois descobrimos que os sons, em suas primeiras formas musicais e de linguagem, teriam sido inventados pelos homens das cavernas que reproduziam o efeito do eco, imitavam bichos e barulhos da natureza. Aí nos veio outra questão: o que existia antes do som? Descobrimos que "o silêncio foi a primeira coisa que existiu, um silêncio que ninguém ouviu" (Arnaldo Antunes). Mesmo sendo impossível ouvir o silêncio, descobrimos que lidamos com ele o tempo todo no fazer musical. Tocando nosso tambor, por exemplo, usando o comando mão / baqueta, concluímos que a mão marca, na verdade, o silêncio e com ele ganhamos fluidez e precisão.

O Som das Cavernas

Depois da nossa Brincadeira da Caçada, na qual as crianças andavam imaginariamente acompanhando o pulso musical marcado com as mãos e descobrindo as propriedades do eco, assistimos ao trecho do vídeo do Hermeto Pascoal, "Sinfonia do Alto Ribeira", presente no Youtube. Nele, o genial Hermeto e sua Banda, tira sons em ostinatos das diversas formações rochosas.

Parangolé, brinquedo-cantado.

Não é a toda hora que chegam aos nossos ouvidos um trabalho musical e didático tão bacana. As crianças ficaram interessadíssimas com o cd e dvd "Parangolé", do grupo Emcantar, que traz muitas brincadeiras musicais populares. Aprendemos a movimentação de canções e brincadeiras que as divertiram pra valer como "Eu Vou Pegar o Trem" e "Ipiaia Ipi Ipi Aia".

Luiz Gonzaga para Todos!

Em nossa Festa Junina homenageamos o centenário do Velho Lua, o nosso querido Luiz Gonzaga. Trabalhamos seu repertório de baiões, gênero que ele ajudou a criar e difundir mundo afora, bem como xotes e quadrilhas de sua autoria. As crianças aprenderam a reproduzir e identificar cada ritmo, cantar suas principais canções e, é claro, dançar um forrozinho. Afinal, For All é Para Todos!