Relatório de Grupo do Primeiro Semestre de 2012 / Projeto: O Bicho Inventor

Turma dos Inventos

O Ano Começou...

O ano começou em ritmo de carnaval. Em meio ao som das marchinhas, do samba da escola e de muita batucada, fomos nos conhecendo melhor, percebendo as características de cada criança, a maneira de pensar, de se relacionar e de aprender de cada um. Com a nossa mediação firme e constante fomos nos organizando e nos constituindo como grupo. Desde o início foi preciso pontuar regras e limites necessários para um convívio harmonioso. O exercício do diálogo, a escuta e a espera e o acolhimento e cuidado com o outro foram importantes na construção da Turma dos Inventos, que hoje é mais comprometida com os acordos coletivos e com o bem estar de todos.
A presença da tinta, a familiaridade e atração das crianças pelo material e o encantamento pelas pinturas de Di Cavalcanti, que estiveram presentes nas pesquisas sobre o carnaval, nos levaram ao projeto "Pintou uma Invenção!".
Em nossas pesquisas através do tempo, as crianças, além de conhecerem a forma como a tinta e a pintura estavam presentes na vida das pesssoas, puderam colocar a mão na massa preparando tinta com ovo, carvão, argila e outros pigmentos e experimentando pintar sobre diferentes superfícies como pedra, gesso, madeira e tela.
Nesse percurso, conhecemos diferentes técnicas, pinturas e pintores, visitamos épocas e lugares diferentes e pudemos comparar e confrontar ideias, formular perguntas e saciar curiosidades.

Chegada com Carnaval

O encontro da turma foi marcado por muita energia e animação. O samba da escola foi cantado com alegria e já chegou trazendo muitas ideias para conversas em torno do projeto institucional: "Por que inventamos coisas?", "O que vocês gostariam de inventar?", "E o Carnaval, quem inventou?" Depois de algumas hipóteses levantadas pelas crianças, o livro "Festas", de Marcelo Xavier, nos ajudou a descobrir a origem dessa festa tão animada.

Turma dos Inventos

Depois de algumas conversas e de uma lista enorme de sugestões, a turma escolheu o seu nome. A votação começou bem equilibrada, mas logo um nome foi ganhando força e conquistou toda a turma, fazendo muitos reverem seu primeiro voto. Com a escolha praticamente unânime, a alegria tomou conta da criançada que saiu pela escola anunciando a novidade: "Vento, vento, vento, é a Turma dos Inventos!"

Quem Inventou a Tinta? Por quê?

O carnaval já havia passado, mas continuou mobilizando a turma. Selecionamos algumas obras de Di Cavalcanti que retratavam o carnaval, falamos um pouco sobre sua vida e características de suas obras e depois fizemos uma releitura inspirados em suas pinturas. As conversas em torno do seu trabalho rendeu perguntas instigantes: "Quem inventou a tinta?", "Por quê?". E as crianças levantaram algumas hipóteses:

"Um artista" (Dora)
"O Di Cavalcanti" (Luisa)
"Os homens da caverna usando água" (Gustavo e Théo)
"Para pintar os bichos" (João Caminha)

Resolvemos, então, mandar uma pesquisa para casa com a pergunta: Será que vocês conseguem descobrir quem fez as primeiras pinturas?

Projeto

Pintou uma Invenção!

Muitas crianças pesquisaram com seus pais e descobriram: foram os homens das cavernas que fizeram as primeiras pinturas! Informações sobre as tintas, a sua forma de preparo, materiais usados e diferentes imagens com pinturas rupestres enriqueceram nossas conversas em torno dessa invenção e nos possibilitaram experimentar formas inusitadas de usar e preparar tintas na escola.

Um Dia das Cavernas

A turma viveu um dia diferente. O pátio ganhou uma caverna e um caminho com diversos elementos da natureza. Como homens das cavernas, as crianças pisaram em barro, areia, folhas e água e experimentaram diferentes sensações. Trituraram carvão com pedras para fazer tinta, transformaram bambus e penas em pinceis e pintaram animais nas paredes da caverna para terem sorte na caçada. Com ferramentas e armas, também preparadas por elas, caçaram mamutes, bisões e touros e, com a ajuda do fogo, que já sabiam como fazer e manter, assaram sua caça.

Visita Especial

A Tetê encontrou a Turma dos Inventos para contar sobre a Serra da Capivara, no Piauí, e mostrar as fotografias de pinturas rupestres que trouxe de lá. Apreciamos as imagens e buscamos semelhanças com figuras conhecidas. Identificamos diversos animais, plantas, cenas com homens caçando, brincando, em festa, registros da rotina e do modo de vida dos homens primitivos. Também observamos mãos carimbadas e pinturas abstratas, primórdios de uma sinalização ou de registros numéricos. Depois de muitas conversas, Tetê deixou um desafio para turma: criar desenhos figurativos e inventar desenhos abstratos, como os que vimos nesses registros.

Inventos na Caverna

Fizemos um passeio à Floresta da Tijuca, que foi registrado pelas crianças de duas forma: por desenhos que foram expostos no mural da escola e por meio de um texto coletivo:
"A Turma dos Inventos foi até a Floresta da Tijuca conhecer uma caverna. O José Antonio, que é guia, ajudou a gente a chegar lá. O caminho era estreito, um pouco dificil e tinha muitas pedras. Quando chegamos à caverna, vimos que era escura, tinha um buraco aberto, um desenho na parede e morcegos, que não vimos, só ouvimos o barulho deles. Dentro da caverna estava mais frio, a parede da caverna era molhada e algumas crianças sentiram um pouco de medo. Achamos o passeio muito legal!"

Visita na Turma dos Inventos

Dando continuidade às nossas pesquisas sobre a transformação da tinta e da pintura ao longo do tempo, recebemos a visita do George, pai do Daniel, para contar sobre uma viagem que fez ao Egito. Curiosas, as crianças ouviram sobre sua ida às pirâmides, o clima do deserto, viram fotografias suas montado em um camelo e fizeram muitas perguntas mostrando o quanto estavam envolvidas com o projeto.

Trigo e Pão

Depois da observação de uma pintura egípcia onde foi retratada a colheita do trigo, as crianças fizeram, em grupos, uma releitura corporal dessa imagem, caracterizadas como os antigos egípcios. Descobrimos que o trigo era muito importante para esse povo, que com ele fazia o pão, base de sua alimentação. Assim, preparamos a massa, atentos às medidas dos ingredientes, registramos a receita e, na hora do lanche, comemos os pães quentinhos. Uma delícia!

Um Dia Medieval

Nossa turma fez mais uma viagem no tempo e dessa vez aterrissou na Idade Média. Vestidos como reis, rainhas, príncipes, princesas e cavaleiros, as crianças participaram de um banquete medieval, apreciaram lindos vitrais que decoravam o salão e finalizaram com uma dança de cortejo ao rei. Assim, demos início à novas pesquisas que investigaram, entre outras coisas, a forma como a tinta e a pintura estavam presentes na vida daquelas pessoas.

Era uma Vez...

E assim começava mais uma história, que era ouvida com concentração pela Turma dos Inventos. Contos de fadas, histórias fascinantes envolvendo reis, rainhas e castelos deixavam as crianças encantadas. Além desse encantamento com o enredo, o contato com diferentes tipos de textos permitiu às crianças se aproximarem da riqueza, complexidade e funcionalidade da nossa língua e transitarem pelo universo da leitura e escrita, levantando hipóteses. Com olhinhos atentos, um suspiro ou um sorriso, as crianças escutavam uma história com final feliz e geralmente vinha um pedido de bis.

Inventos na Catedral

O projeto continuava a todo o vapor e a nossa turma fez mais um passeio, que foi registrado assim:
"Nós, da Turma dos Inventos, estamos pesquisando sobre a Idade Média e por isso fomos conhecer os vitrais da Catedral Metropolitana de São Sebastião. Quando entramos fizemos silêncio, paramos para observar os vitrais e sentamos em roda para desenhar o que chamou mais a nossa atenção nas imagens. Depois voltamos para o ônibus e fomos lanchar na Praça Paris. Teve bolo para cantar parabéns para a Maria e para o Miguel. Depois, fizemos uma corrida pela praça e vimos uma minhoquinha no chão. Nós gostamos do passeio. Foi legal!"

Criando Tinta

Como nas oficinas de artes da Idade Média, nossos pequenos pintores prepararam tintas e fizeram pinturas usando materiais e um suporte diferente. O trabalho foi realizado em etapas: primeiro as crianças prepararam a madeira com uma camada de gesso e cola e depois fizeram a têmpera misturando pigmentos, água e gema de ovo. O resultado desse trabalho foi apreciado pelas famílias na exposição da Festa Pedagógica.

Festa Pedagógica

Que manhã gostosa as crianças e suas familias tiveram no dia da Festa Pedagógica. Juntos, se divertiram compartilhando momentos prazerosos nas oficinas de arte e música, que incluíram pinturas e muita cantoria! A exposição dos trabalhos de artes também emocionou a todos e pôde traduzir parte do processo relacionado ao projeto de pesquisa da turma, percorrido com muito envolvimento por todos.

Jogos para Inventos

Os jogos fizeram parte do dia a dia da Turma dos Inventos e estiveram presentes em diferentes momentos da nossa rotina. Seja na sala, no pátio ou no salão, brincar de Amarelinha, Rouba Malha, Jogo da Pipoca, Uno, Batalha e muitos outros fizeram a alegria da criançada e proporcionaram muito aprendizado. Durante as partidas, as crianças contaram e registraram pontos, reconheceram números, separaram materiais, compararam quantidades e, dessa forma, se familiarizaram com os numerais e levantaram hipóteses sobre nosso sistema numérico e sua regularidade.

Retratos no Museu Nacional de Belas Artes

A Turma conheceu Leonardo da Vinci e aprendeu que ele foi um grande pintor e inventor do Renascimento, e também apreciou uma de suas obras mais famosas: a "Monalisa". Observamos também diferentes retratos de diversos pintores e depois, munidos de telas, tintas e pincéis, fizemos o retrato da Luiza, auxiliar da turma, que posou para as crianças. Depois chegou a hora de irmos ao museu apreciar algumas pinturas:
"Nós vimos autorretratos e retratos em muitas pinturas. Nelas tinha príncipe, o rei Dom Pedro II, um homem corajoso, mulheres e também crianças."
Texto Coletivo

Inventos e Volpi

Tintas e pinturas continuam presentes na Turma, mas também nas pesquisas sobre a festa junina. A história "Brincadeiras", de Katia Canton, toda ilustrada com obras de Volpi, encantou a criançada que se inspirou em seu trabalho para realizar algumas atividades de artes. Usando têmpera, como o pintor, fizeram releituras das pinturas "Fachada e Bandeirinhas" e "Bandeirinhas", atentas às cores e formas usadas pelo artista.

Gonzagão e Monalisa

Os livros "Luiz Lua", de Lucília Garcez, e "O Rei do Baião - do Nordeste para o Mundo", de Arievaldo Viana, aproximaram o grupo da história de Luiz Gonzaga. Uma caixa surpresa com diversos elementos da cultura nordestina e fotos do músico em diferentes fases da sua vida incrementaram conversas e serviram como objetos de observação para desenhos. O "Xote Ecológico" e sua sanfoninha choradeira ficaram na ponta da língua e a criançada contou os dias para a festa junina.
Finalizando o semestre, recebemos a visita da Julia, aluna da F6 e amiga do Gustavo. Julia viajou para Paris, viu de perto o quadro "Monalisa", fez uma rica pesquisa sobre a obra e veio contar para as crianças a pedido do amigo. Além de tantas informações interessantes e do gostoso encontro, a turma foi presenteada com desenhos da Monalisa feitos por ela, onde cada criança criou um novo rosto para o famoso retrato.

Depois das férias tem mais!

As pinturas guiaram nossas pesquisas que terminou com a chegada dos festejos juninos. Pintores Naif, que retrataram a festa, e Alfredo Volpi, com suas bandeirinhas, inspiraram trabalhos e conversas. O rei do baião, Luiz Gonzaga, embalou nossos últimos dias com o xote ecológico e sua sanfoninha choradeira.
Depois de tanta cantoria e invenções, uma pequena pausa pra recarregar as energias. Depois das férias tem mais!

Expressão Corporal

Em ritmo de carnaval!

Iniciamos o semestre esquentando os corpos para o desfile do nosso bloco.
Reunimos os grupos em roda, realizamos movimentos em diferentes direções e níveis ao som de algumas marchinhas. Depois, cantamos e dançamos ouvindo o samba vencedor.

Brincando com Sombra

O fogo iluminava as cavernas e criava sombras em suas paredes. Com essa informação, as crianças participaram de uma aula diferente. Divididas em grupos, dançaram e criaram movimentos atrás de um tecido e os amigos apreciaram suas sombras. Também criamos, a partir de movimentos sugeridos pelas crianças, a nossa dança ao redor do fogo. Num outro momento aproveitamos a brincadeira para criar poses de perfil, imitando pinturas egípcias.

Plantando o trigo para colher o pão

Aproveitando as pesquisas do grupo sobre o trigo e o pão representamos com nossos corpos o plantio, o crescimento e a colheita do trigo. Enrolamos e desenrolamos a coluna, bem como amassamos a "massa" desse alimento tão saboroso, massageando os corpos. Em seguida, em duplas, trios e até quartetos representamos alguns tipos de pães.

Dramatização

Encantados pelas pesquisas sobre a Idade Média e os castelos, os pequenos foram divididos em grupos e, utilizando diversos materiais e fantasias, inventaram personagens e criaram sua versão da história da Cinderela.

Em ritmo de xote e baião

Encerramos o semestre ao som de xote e baião. Embalados pelas músicas "Xote ecológico" e "Sanfoninha choradeira", de Luiz Gonzaga, experimentamos alguns passos e montamos as coreografias para nossa Festa Junina.

Música

Viva o carnaval!

Inspirados pelo samba campeão de 2012, trouxemos uma mala surpresa repleta de invenções citadas na letra da música e também contamos a história "Te cutuco, não cutuca" que tenta justificar, de forma bem humorada, o surgimento do samba.

Sampler e Silêncio

Coletamos sementes, galhos, conchas e pedrinhas e iniciamos a exploração sonora desses elementos da natureza atentando para seus diferentes timbres, alturas e intensidades. Para registro e futuras atividades de composição "sampleamos" esses sons criando um banco sonoro.
Depois descobrimos que os sons, em suas primeiras formas musicais e de linguagem, teriam sido inventados pelos homens das cavernas que reproduziam o efeito do eco, imitavam bichos e barulhos da natureza. Aí nos veio outra questão: o que existia antes do som? Descobrimos que "o silêncio foi a primeira coisa que existiu, um silêncio que ninguém ouviu" (Arnaldo Antunes). Mesmo sendo impossível ouvir o silêncio, descobrimos que lidamos com ele o tempo todo no fazer musical. Tocando nosso tambor, por exemplo, usando o comando mão / baqueta, concluímos que a mão marca, na verdade, o silêncio e com ele ganhamos fluidez e precisão.

O Som das Cavernas

Depois da nossa Brincadeira da Caçada, na qual as crianças andavam imaginariamente acompanhando o pulso musical marcado com as mãos e descobrindo as propriedades do eco, assistimos ao trecho do vídeo do Hermeto Pascoal, "Sinfonia do Alto Ribeira", presente no Youtube. Nele, o genial Hermeto e sua Banda, tira sons em ostinatos das diversas formações rochosas.

Parangolé, brinquedo-cantado.

Não é a toda hora que chegam aos nossos ouvidos um trabalho musical e didático tão bacana. As crianças ficaram interessadíssimas com o cd e dvd "Parangolé", do grupo Emcantar, que traz muitas brincadeiras musicais populares. Aprendemos a movimentação de canções e brincadeiras que as divertiram pra valer como "Eu Vou Pegar o Trem" e "Ipiaia Ipi Ipi Aia".

Luiz Gonzaga para Todos!

Em nossa Festa Junina homenageamos o centenário do Velho Lua, o nosso querido Luiz Gonzaga. Trabalhamos seu repertório de baiões, gênero que ele ajudou a criar e difundir mundo afora, bem como xotes e quadrilhas de sua autoria. As crianças aprenderam a reproduzir e identificar cada ritmo, cantar suas principais canções e, é claro, dançar um forrozinho. Afinal, For All é Para Todos!