Relatório de Grupo do Primeiro Semestre de 2012 / Projeto: O Bicho Inventor

Encontros e Reencontros

Antes de iniciarmos as atividades relacionadas ao Projeto, nos preparamos para receber as crianças, abrindo espaço para que matassem a saudade da escola e dos amigos e também para que contassem suas novidades, brincando, fazendo trabalhos de artes e revisitando nossos espaços de afeto.
Esse momento de reencontro, para alguns significou iniciar novas amizades e para outros reforçar antigos laços. Procuramos acolher cada uma delas na sua individualidade, respeitando a maneira de ser de cada um. Algumas crianças enfrentaram esse período com maior tranquilidade e outras precisaram de um pouco mais de tempo para se adaptar. Aos poucos, quando foram se conhecendo melhor, passaram a se reconhecer como grupo.  

Turma do Bambolê

Folia e Projeto

Na semana que antecedeu ao carnaval, as crianças cairam na folia, dançaram e pularam ao som de diversas marchinhas e, animadas com o bloco, se afinaram com o samba da Sá Pereira. Pintaram e enfeitaram máscaras nas aulas de artes e no pátio, brincaram e correram divertindo-se à valer! Mas nem só de carnaval viveu a turma... Mergulhadas na imaginação, as crianças, junto com seus professores, inventaram uma história, a partir da imagem da capa de suas agendas. A meninada trouxe ideias relacionadas à reciclagem, consertos de algumas coisas e reaproveitamento. E desta forma, foram se aproximando do tema do Projeto Institucional.

Turma do Bambolê

Depois de uma conversa sobre o que sabiam sobre invenções e quais delas as crianças conheciam, elas se animaram com a escolha de um nome para a turma. Numa apertadíssima votação, todas se empenharam sugerindo nomes criativos, inspirados, em sua maioria, nos brinquedos. Num clima de alegria, o nome escolhido inaugurou um novo tempo para os nossos pequenos que, orgulhosos, vibraram: "Agora somos a Turma do Bambolê!".

Projeto

O Bambolê Roda?

E o que mais roda?
Envolvidas com o nome da turma, as crianças se divertiram com diversas brincadeiras e danças com o bambolê. Numa roda de conversa, registramos algumas informações, a partir dos conhecimentos prévios dos nossos pequenos sabidos, que nos mostraram que já conheciam um bocado de coisas:

"O bambolê roda"
"O carro tem roda"
"A gente faz roda"
"O DVD roda"
"O planeta roda"
"A bola é redonda e roda"

Também assistiram a um vídeo do "Cirque de Soleil", onde os bailarinos dançavam com bambolês, e outro com equilibristas, em monociclos, do Circo de Pequim. Inspirado nesses vídeos, o grupo arriscou algumas tentativas ao dançar com mais de um bambolê nos braços, pernas e cintura. Foi uma farra!

As Invenções do Circo

Nossos pequenos ficaram fascinados pelas artes circenses. Nico trouxe um DVD do espetáculo Alegria, do Cirque du Soleil, para assistir com os amigos. Os pequenos expressaram curiosidade, surpresa e admiração enquanto contemplavam os atos incríveis desse teatro em movimento. No decorrer do filme, alguns não se contiveram e se levantaram na tentativa de movimentar seus corpos, como os bailarinos, e de dançar as músicas que escutavam. Numa roda de conversa, quando perguntamos quem será que teria inventado o circo, nossos pequenos responderam:
"Foi o Jean!"
"Foi a Giovanna!"
"Acho que foi a minha avó!"
"Foram os moços que trabalham no circo!"
Aproveitamos para escrever uma história com as crianças. Inventamos os nomes "Bambolê e Bambolinha" para dois palhaços que se perderam do circo. Porém, "parece" que eles andavam pelas redondezas da Pereirinha querendo nos visitar...

Respeitável Público!

Em nosso picadeiro, a imaginação se armou para a festa! Com roupas coloridas, cabeleiras estranhas e desengonçados, chegaram os palhaços Bambolê e Bambolinha! Eles fizeram piruetas, pularam, caíram, cantaram e dançaram trazendo muita alegria. Quem inventou as chulas? E o palhaço?
A meninada também conheceu o livro "O Elogio da Bobagem – palhaços no Brasil e no mundo", de Alice Viveiros de Castro, e apreciou imagens de palhaços que ficaram famosos na história do circo como Arrelia, Carequinha e Picolino.

Hoje Tem Espetáculo?

O circo não podia parar! Com suas roupas coloridas e carinhas pintadas, nossas crianças, vestidas de palhaço, encantavam umas às outras. Com alegria e muitas brincadeiras, todas se envolveram com as inúmeras possibilidades de expressão que o palhaço pode apresentar. Equilibraram-se em circuitos segurando um guarda-chuva, deram piruetas e cambalhotas, inventaram seus números, cantaram e dançaram. Aproveitamos para propor uma atividade coletiva de matemática, em que as crianças marcaram, em quadros diferentes, quem já havia ido ou não ao circo. Depois de contar e comparar as quantidades, concluíram que a maioria já havia ido ao circo.

Bambolê da Matemática

O grupo brincou de estátua, mas teve que ficar atento, pois quando a música parava a professora sinalizava, com os dedos, o número de crianças que deveria se agrupar dentro de bambolês. Foi um desafio divertido.
Procuramos ficar atentas para que a matemática estivesse incorporada ao cotidiano dos nossos pequenos. Tivemos como finalidade proporcionar oportunidades para que elas desenvolvessem a capacidade de estabelecer aproximações a algumas noções como a utilização da contagem oral, de noções de quantidade, de tempo e de espaço em jogos, brincadeiras e músicas, em diversos contextos nos quais pudessem reconhecer essa utilização como necessária.

Um Circo Diferente

A meninada se encantou com o circo em miniatura de Alexander Calder. Todos ficaram atentos e interessados aos detalhes que o artista usou para criar os personagens confeccionados com materiais reaproveitados como arame, madeira, couro, lata, entre outros. Suas esculturas e móbiles também ganharam destaque entre as crianças.

Respeitável Público!

O grupo teve o prazer de receber os palhaços Piriri e Pororó, interpretados por Sofia Chediak e sua mãe Alice. Elas vieram nos contar sobre sua participação numa oficina de artes em Madri, inspirada na obra de Alexander Calder e trouxeram um mini circo, confeccionado por Sofia, dentro de uma lata de sucata com bonecos, cavalinhos e muito mais! A turma ficou encantada!
Para nos inspirarmos, ainda mais, recebemos a bailarina Maria Alice Taborda, mãe da Luiza, que nos fascinou com seus passos, piruetas e leveza, e com as histórias que nos contou do "Quebra Nozes" e do "Lago dos Cisnes". Foram duas visitas muito especiais!

Bailarinas

Envolvidas com os personagens do circo, as crianças, conheceram bailarinas retratadas por Degas, Renoir, Toulouse Lautrec e Botero. Enquanto apreciavam as imagens, fizeram comentários atentando para detalhes, cores e formas. Em seguida, brincaram de imitar movimentos semelhantes aos das bailarinas.

Aventuras Acrobáticas

Fizemos um passeio ao Espaço de Circo Atua Bota e as crianças o registraram num texto coletivo. Depois, a mãe da Luisa Miranda, que é acrobata, veio, com seu amigo Bruno, apresentar uma performance circense que envolveu teatro, dança e acrobacia. As crianças ficaram encantadas e se divertiram bastante, com direito a bis!
Texto coletivo da turma:
"Passeamos na escola de circo e fomos recebidos pelo professor Caroço e pela Nathi. Experimentamos o trapézio, os tecidos e a cama elástica. Nos colchões imitamos, com o corpo, o sapo, o tatu bola, o urso, o caranguejo e o guepardo. Foi show de bola!

O Mágico Chegou!

Respeitável público! Com vocês o mágico Antônio! Nosso querido amigo da turma, veio acompanhado de sua mãe, Fernanda, que lhe auxiliou numa divertida demonstração de truques e mágicas. As crianças se envolveram no clima circense e, sem pestanejar, acompanharam cada detalhe das mágicas apresentadas com muito entusiasmo e alegria.

Como Foi Inventado o Espetáculo?

A caminho do "Grand Finale" do Circo do Bambolê, as crianças refletiram sobre a pergunta:
Como será que se inventa um espetáculo?

"É uma pessoa que pensa." Francisco Góes.
"Um espetáculo pode ser de uma bailarina só". Nina T.

Para continuarmos com nossas pesquisas recebemos Maria Alice Poppe e Tato Taborda, pais de Luiza. Eles vieram apresentar para a turma um recorte do espetáculo que estava em cartaz chamado "Caprichosa Voz que vem do Pensamento". Garfos e parafusos, inseridos no "esqueleto" do piano, produziram sons inesperados que dialogaram com a bailarina, revelando um universo de magia e fantasia. A dupla sensibilizou as crianças, que vibraram com a performance dos artistas.

O Grande Dia

O dia da Festa Pedagógica foi "mágico" e as crianças o registraram por meio de um texto coletivo:
"Nós estávamos felizes e contentes esperando a festa começar. Primeiro entraram os mágicos. Os equilibristas chegaram depois com muita calma e atenção. Depois os palhaços dançaram com a banda. O Nico abriu a caixinha de música e as bailarinas dançaram. Quando a Thiare fechou a caixa, acabou a dança. A Renata também dançou.
No final da apresentação da Turma do Bambolê, os homens mais fortes do mundo entraram no palco e carregaram duas toneladas de algodão!
Nós adoramos a banda do Tato, do Sidon e do Jean. O espetáculo foi divertido e legal!"

No blocão da turma reunimos todos os textos coletivos a respeito dos passeios e de outros momentos significativos para o grupo. Dessa forma, as crianças tiveram a oportunidade de elaborar uma linha de raciocínio e perceber a diferença entre a linguagem escrita e falada, além de se aproximar da função da escrita quando, por exemplo, eles eram aproveitados para o informe.

Visita à Exposição

Depois de passado o período das Festas Pedagógicas da Pereirinha, a Turma do Bambolê foi guiada pelas crianças da Turma do Sol, para que apreciassem a exposição de seus trabalhos de artes. Foi uma graça vê-las explicando para os amigos menores, com tanto entusiasmo e orgulho, o que haviam aprendido no decorrer do projeto.

Passeio ao Parque Lage

Para registrar nosso passeio, a turma escreveu mais um texto coletivo:
Fomos passear no Parque Lage. Brincamos muito com os bambolês e com as caixas das bailarinas do nosso circo. Corremos e pulamos corda, descansamos debaixo de uma árvore e lanchamos pão de queijo e suco de laranja que a mãe da Thiare mandou para nós, do restaurante dela, que fica dentro da casa do Parque Lage. Estava uma delícia! Pena que a Thiare, o Antonio e o Tito ficaram doentes e não puderam ir... Adoramos o passeio!

Arrasta Pé do Bambolê

Depois de vivenciarmos tantas alegrias e aprendizagens a respeito da invenção do circo, a turma entrou no clima dos festejos juninos. Falamos sobre Luiz Gonzaga, sua trajetória e importância para a cultura brasileira. Os pequenos apreciaram imagens e capas de CDs, ouviram algumas músicas e assistiram a uma entrevista com o artista pela internet. Para incrementar nossas pesquisas, apontamos elementos da indumentária artística do Rei do Baião, que para ele eram indispensáveis e faziam parte da criação de seus espetáculos. A sanfona e o chapéu de couro, à moda do cangaceiro, e o gibão do vaqueiro nordestino passaram a ser identificados pelas crianças que, animadas, dançaram e cantaram trechos de xote e baião.

No Embalo do Xote

Em ritmo de Festa Junina, nossos pequenos confeccionaram seus trabalhos de artes utilizando materiais como lantejoulas, estrelas e bandeirinhas, explorando suas cores e formas. Enquanto caprichavam na produção, cantarolavam, com muita animação, os xotes de Luiz Gonzaga que aprenderam e que ensaiaram nas aulas de Música e Expressão Corporal.

Que Chita Bacana

Na roda de conversa, as crianças conheceram a chita e se aproximaram da trajetória deste tecido. Combinando cores e misturas que vestiram camponeses, personagens da literatura, teatro e cinema, esse tecido, carregado de histórias e estampado de alegria, faz parte da nossa cultura e continua permeando e colorindo harmoniosamente as festas brasileiras. Na sala de artes, elas fizeram colagens, utilizando essa estampa e lápis pastel.

Gonzagão e Bumba Meu Boi

As crianças também se empenharam ao preparar dobraduras de chapéus, inspirados no modelo de cangaceiro, e neles pintaram e colaram fitas e bandeirinhas para homenagear o Rei do Baião. Animada com a proximidade da Festa Junina, a turma se empenhou ao fazer uma pintura do Bumba meu Boi. As crianças conheceram um pouco desta lenda, que traz em sua essência um contraste entre a fragilidade do homem e a força de um boi, o que despertou o interesse de todas. Alegres, elas aguardaram o dia do arraial e se preparam ensaiando ao som das músicas de Luiz Gonzaga.

Encerramento

O circo e sua arte nos encantaram e inspiraram nossas pesquisas, que se encerraram com a proximidade da Festa Junina. A trajetória da chita, a lenda do Bumba Meu Boi e as histórias de Luiz Lua permearam nossas rodas de conversas e coloriram nossos trabalhos no último mês. Gonzagão, o rei do baião, não deixou ninguém ficar parado no salão com o xote “Pé de Serra” e o baião “Embalança”.
Depois de dançarmos muito forró, já com o coração saudoso, uma pequena pausa para as férias. Até a volta para novas descobertas!

Expressão Corporal

Em ritmo de carnaval!

Publicado no Informe n°689 em 10/02/2012
Iniciamos o semestre esquentando os corpos para o desfile do nosso bloco.
Reunimos os grupos em roda, realizamos movimentos em diferentes direções e níveis ao som de algumas marchinhas. Depois, cantamos e dançamos ouvindo o samba vencedor.

Os bambolês

Com este material, inventamos muitas coisas no salão: cavalos, cordas de pular, bicicletas, bolsas, mochilas, carros etc.
Encantados pela magia do circo experimentamos girá-los em diferentes partes do corpo. E aproveitamos para trabalhar as relações de dentro e fora e o movimento de saltar entre eles.

Bam-bo-lê

O som das sílabas do nome da turma serviu de inspiração para a criação de uma pequena sequência de movimentos. Divididas em dois grupos, as crianças reproduziram movimentos em diferentes níveis e apreciaram a produção dos colegas. Em seguida, foram desafiadas a realizar a sequência do outro grupo.

Os Equilibristas

Os amantes das artes circenses deram um show equilibrando pequenos canos de pvc pintados por eles. Também utilizaram o material como malabares, ensaiando números para o Circo do Bambolê. Mas a brincadeira não terminou por aqui, também experimentaram fazer malabarismos com bolinhas de tênis exercitando a atenção e a concentração e, após assistirem a um número de contorcionismo e dança do Cirque du Soleil, tentaram reproduzí-lo realizando pêndulos com as fitas em diferentes níveis e relacionando-as com as diferentes partes de seus corpos.

Em ritmo de xote e baião

Encerramos o semestre ao som de xote e baião. Embalados pelas músicas "Imbalança" e "No meu pé de serra", de Luiz Gonzaga, experimentamos alguns passos e montamos as coreografias para nossa Festa Junina.

Música

Viva o carnaval!

Inspirados pelo samba campeão de 2012, trouxemos uma mala surpresa repleta de invenções citadas na letra da música e também contamos a história "Te cutuco, não cutuca" que tenta justificar, de forma bem humorada, o surgimento do samba.

O som das Cavernas

Depois da nossa Brincadeira da Caçada, na qual as crianças andavam imaginariamente acompanhando o pulso musical marcado com as mãos e descobrindo as propriedades do eco, assistimos ao trecho do vídeo do Hermeto Pascoal, "Sinfonia do Alto Ribeira", presente no Youtube. Nele, o genial Hermeto e sua Banda, tira sons em ostinatos das diversas formações rochosas.

Parangolé, brinquedo-cantado.

Não é a toda hora que chegam aos nossos ouvidos um trabalho musical e didático tão bacana. As crianças ficaram interessadíssimas com o cd e dvd "Parangolé", do grupo Emcantar, que traz muitas brincadeiras musicais populares. Aprendemos a movimentação de canções e brincadeiras que as divertiram pra valer como "Eu Vou Pegar o Trem" e "Ipiaia Ipi Ipi Aia".

Charanga! O Circo Chegou!

Todos na cidade sabem, quando se ouve a charanga tocando, quer dizer que o Circo chegou! Para nossa inspiração apreciamos algumas faixas e histórias de circo presentes no Cd, "O Circo", da Cia. dos Parlapatões. Misturando esse repertório mais tradicional com algumas canções da nossa escola, aproveitamos para explorar timbres engraçados com o reco-reco, o triângulo, os pios etc. Com a música "O equilibrista", com muita calma e atenção, criamos a tensão perfeita com o rufo da caixa e desfecho espalhafatoso dos pratos-de-choque. A magia pôde ser sentida na inesquecível apresentação das crianças, com a participação carinhosa de Tato e Sidon.

Luiz Gonzaga para Todos!

Em nossa Festa Junina homenageamos o centenário do Velho Lua, o nosso querido Luiz Gonzaga. Trabalhamos seu repertório de baiões, gênero que ele ajudou a criar e difundir mundo afora, bem como xotes e quadrilhas de sua autoria. As crianças aprenderam a reproduzir e identificar cada ritmo, cantar suas principais canções e, é claro, dançar um forrozinho. Afinal, For All é Para Todos!