Navegantes e Aventureiros: Navegar é Preciso

Conhecer, transformar, ampliar o sentido da afirmação de navegadores, tão conhecida a partir do poema de Fernando Pessoa. Esse é o convite aos alunos, pais e professores da Sá Pereira.

Navegar é preciso

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo
e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.


Fernando Pessoa

Começando a jornada, a pergunta:
Como navegar sem viver? Não seria o viver o próprio navegar, um a razão do outro?
Há quem entenda o navegar não como uma necessidade, mas como um ofício orientado pelo cálculo, pelo planejamento e pela exatidão, diferente da vida que, por mais que seja planejada e projetada, jamais será exata e previsível.
Que sentidos têm em comum as viagens de Marco Polo, Hans Staden, Ulisses, Heródoto, Rondon, Bartolomeu Dias, Thomas Ender, Amyr Klink, Cristóvão Colombo, Frans Post, Darwin, Martim Afonso de Sousa, Robinson Crusoé, Albert Eckhout, Langsdorff, Taunay, Lévi-Strauss, Gagarin, Pierre d’Amiens, Zhou Di, Eistein, Rugendas?
Não terá sido apenas a vida, com suas indagações, anseios e paixões, o que tinham em comum?
Cientistas, artistas, navegadores, aventureiros, peregrinos, exploradores compartilham a característica de serem ou terem sido viajantes.
Mas quem são os viajantes de hoje? Apenas os turistas ou todos aqueles que, de uma forma ou de outra, embarcaram na busca de respostas às perguntas de nossos antepassados?
Através do fazer científico, artístico, político, religioso, muitos viajantes traçaram rotas e rumos, percorreram caminhos, cruzaram territórios em busca do desconhecido. Saíram de suas terras, de seus gabinetes, laboratórios, ateliês para ver o mundo com seus próprios olhos e criar histórias e memórias que se tornaram patrimônio de todos nós.
Conhecer os relatos dessas viagens nos faz um pouco viajantes. E nos coloca diante de muitos saberes construídos ao longo da história, de realizações de diversas épocas e culturas, de conhecimentos de inúmeras disciplinas. Somos convidados a navegar, não só com a imaginação ou virtualmente, mas no mundo real, em busca da compreensão do que pode, a princípio, nos parecer diferente, exótico, estrangeiro, e também do que, já estando em nós, ainda não conhecemos.
A curiosidade, o desejo, a disposição e a coragem do viajante são as atitudes necessárias para as descobertas e aprendizagens.
As habilidades de planejamento, observação, registro e sistematização expressas em suas experiências talvez possam ser bons modelos para a formação de novos pesquisadores e viajantes.
Um olhar crítico sobre suas formas de compreender o mundo pode nos tornar capazes de atitudes mais flexíveis de interação e diálogo.
Vamos estudar os navegadores antigos para reconhecer os navegadores de hoje?
Navegar é preciso! Vamos, juntos, nessa aventura.