Abracadabra, a magia da comunicação


Foi uma tarefa difícil identificar nossas intenções e batizar o Projeto Institucional para 2003. As sugestões que colhemos nos questionários enviados às famílias apontavam para muitas direções. Precisávamos chegar a um tema que pudesse incluir o maior número de idéias, respeitando as características fundamentais de um bom projeto. Muitos pais indicaram a continuação de “Nós, tão iguais tão diferentes” desenvolvido em 2002. Temos certeza que não esgotamos as possibilidades de trabalho dentro desse tema e sabemos que suas idéias centrais estarão sempre presentes em qualquer escolha futura que venhamos a fazer. Mas trazer algo novo para um novo ano, é fundamental para as crianças e até mesmo para nós, professores, que nos animamos diante do desconhecido que nos impulsiona para a criação e a descoberta junto aos nossos alunos. Outra vertente apontada foi o momento político brasileiro, sobre o qual não há dúvida da sua importância, mas que nos ocupou bastante no ano que passou, com mobilizações em torno das eleições. Precisávamos de algo que não tivesse sido experimentado anteriormente. Nos fixamos, então, nas sugestões que nos levavam às artes, à comunicação humana, às novas tecnologias, à valorização do potencial de criação e diálogo humanos como alternativa real de mudança, de sonho para um mundo novo, mais justo e digno para todos.

Será essa nossa jornada para 2003: conhecer a história e os processos de criação, imaginação e comunicação humanos. Buscar subsídios para reconhecer, como sugere o filósofo Pierre Lévy, que “somente a linguagem nos permite estabelecer diálogo com outras culturas e nos fazer perceber que somos vizinhos. Sem a linguagem não poderíamos criar e disseminar religiões que nos ensinam a amar esses vizinhos como a nós mesmos. Então os elementos que realmente fazem diferença nas relações humanas são a linguagem, o diálogo e o amor. As tecnologias de comunicação apenas ampliam os poderes da linguagem. E essa mesma tecnologia nos faz perceber que somos mais e mais interdependentes a cada dia”. E, ao mesmo tempo, criar reflexões e recursos, através de estudos e pesquisas, para que possamos pensar e tentar entender nosso mundo tão cheio de mensagens auditivas, verbais, visuais, gestuais – reais ou virtuais – sem cair tão facilmente em armadilhas como a citada por Muniz Sodré: “Do fascínio centralizado na atividade da mídia e nas proezas da computação pode decorrer uma prática ideológica que atribui à inovação tecnológica em si mesma um poder mágico de solução dos problemas, independente das condições sociais e humanas”.

Esperamos poder fomentar, através de nossos estudos, não só o conhecimento das características e a valorização da comunicação humana, mas também provocar transformações nas referências simbólicas que tanto influenciam e formam a consciência política e moral de nossas crianças.

É um desafio e tanto, mas sabemos que teremos vocês, pais, como grandes parceiros.