Nós, tão iguais, tão diferentes


Assim traduzimos os desejos e expectativas da família Sá Pereira em relação ao Projeto Institucional de 2002. Ao tratarmos esse tema como prioridade nas discussões, estudos e pesquisas escolares, acreditamos que estaremos contribuindo para a formação de cidadãos mais tolerantes, que reconheçam e aprendam a respeitar as diferentes sociedades e culturas que formam esse mundo plural em que vivemos. Aprendendo a respeitar as diferenças nossas crianças estarão mais fortalecidos para discernir qualquer tipo de discriminação, tanto no espaço escolar como nos outros espaços de relação familiar ou social onde pretendemos alcançar um ideal democrático.

Educar para tolerância significa tentar formar uma cultura de paz. Experimentar viver em paz consigo, com todos com que nos relacionamos no dia-a-dia e mesmo com os outros seres humanos que, às vezes, nos parecem tão distantes, significa lutar por tempos mais justos. Educar para a tolerância será nosso desafio maior este ano. É preciso que se entenda tolerância não como um eterno abrir mão, ceder, fazer sempre concessões aos desejos dos outros, elogio a submissão, mas como o exercício do diálogo, da aprendizagem do acordo, do respeito, da aceitação e do apreço à diversidade humana e cultural.

Buscaremos ensinar aos nossos alunos seus direitos, deveres e liberdades, incentivando-lhes o respeito aos direitos, deveres e liberdades dos outros, entendendo essa relação de reciprocidade e combatendo a intolerância que sempre acarretam a exclusão e a violência, tão presentes e destrutivas no mundo de hoje. Tentaremos redescobrir o significado de palavras como pluralidade, diversidade, palavras que tiveram seus sentidos ampliados nesses últimos tempos. Tempos de globalização, de pasteurização das culturas e de suas ex- pressões que por mecanismos antagônicos e simultâneos provocam também a valorização do particular, do singular, do único.

Garantir um espaço onde se viva o respeito mútuo, a justiça baseada na eqüidade e a solidariedade é nossa meta. Queremos valorizar o diálogo entre o singular e o plural, o objetivo e o subjetivo, entre as diferentes culturas, entre diferentes grupos sociais, entre diferentes pessoas, compreendendo-o como ferramenta poderosa para assegurar a paz e a dignidade de todos os seres humanos.

“Se a democracia vem dos gregos, o cristianismo, dos judeus e a técnica de meditação, do Oriente...
Se as cifras que somamos são árabes, as letras que escrevemos, latinas e a imprescindível roda é chinesa...
Se a Ásia ofereceu o arroz, os países mediterrâneos, o trigo e a América, o milho...
Se muitos ritmos que dançamos são africanos, a não-violência mais inspiradora é indiana e a universal canção “Noite Feliz” é germânica...
Se a raça humana é de todos/as humanos/as desta terra...
por que não lutar para que todas as culturas dialoguem e colaborem na construção de um mundo pleno de justiça e de paz?”

(da agenda-almanaque-anuário latino americano 2002)