Informe Literário F9 2019

Apego à Memória?

Vivemos em uma cultura que valoriza o apego. Desde que somos pequenos, é estabelecido o que é nosso e o que pertence aos outros. Nossa relação com bens materiais é muito mais baseada no conquistar e acumular do que no dar e jogar fora. O mesmo acontece com bens abstratos, como a memória. Por que, para nossa cultura, é mais importante guardar e acumular informações do que perder e esquecer?

Na cultura capitalista do mundo globalizado, estamos acostumamos a ter uma grande variedade de produtos à nossa disposição. Assim, adquiriu-se o hábito de acumular uma grande quantidade de coisas, mesmo que não tenham mais utilidade. É comum encontrarmos quartos somente de depósito de coisas velhas nas casas.
A cultura da apego não se reproduz da mesma forma com a memória. Querendo ou não, a maioria de nós possui um cérebro limitado. Incapazes de fazer essa tarefa conscientemente, possuímos mecanismos responsáveis por remover memórias que não nos servem mais, como a anandomida. Como não podemos acumular a memória em nós, a cultura do apego nos levou a criar memórias artificiais, como os HDs, nuvens etc. Desse modo, muitas pessoas se preocupam mais em registrar os momentos com seus eletrônicos do que em realmente se divertir.

Para a nossa sociedade é mais importante acumular informações do que perder e esquecer, porque a internet e tecnologia, além da cultura capitalista, nos acostumaram a ter tudo ao nosso alcance no momento em que quisermos. Logo, guardar fotos e dados é como prolongar a duração desses acontecimentos. Acredito que essa grande possibilidade de acesso e armazenamento digital nos torna mais apegados à nossa memória, e nos leva a buscar registrar e acumular lembranças, para que nunca mais as esqueçamos.
Juliana - F9T

Acúmulo de Perdas

A memória, capacidade de conservar e lembrar de estados de consciência passados e associados, é algo muito valorizado em nossa sociedade. Tanto que, como o tempo, fomos criando formas de realizá-las. Contudo, uma questão que está sendo discutida nos dias de hoje, principalmente com os avanços tecnológicos, é se realmente vale a pena a armazená-las em memórias artificiais.

Para a maioria dos seres humanos é um tanto assustador se esquecer de algo que vivenciamos. Tem relação com o sentimento de perda, como se ao se esquecer de alguma coisa estivéssemos incompletos. Porém, esquecemos justamente da importância do esquecimento, afinal ele faz parte do funcionamento da nossa mente e é um processo saudável. Essa tentativa de acúmulo de lembranças, na verdade, acaba tendo um efeito contrário, já que a sobrecarga de informações pode provocar um desgaste mental, e assim causar lapsos de memória.

Outra questão é o quanto realmente vale uma memória artificial, já que lembrar de algo por meio de aparelhos eletrônicos não nos traz o sentimento do momento, e sim o literal e a satisfação e não estar se esquecendo. Pode até apagar a magia das nossas memórias reais, já que aquelas que armazenamos naturalmente são a nossa visão do momento, a soma da realidade com as nossas sensações e fantasias.

Portanto, acumulamos e guardamos informações por medo de perdê-las, além da sensação de que quanto mais nos lembramos mais nós sabemos. Somando esse medo e desejo com o que os avanços tecnológicos nos possibilitam armazenar, é feita essa eternização das lembranças e memórias, que podem até acabar sendo esquecidas na rede.
Luiza F9T

Memória Digital x Emocional: Será que a População Escolheu Certo?

A sociedade atual vive em uma era digital. Memórias artificiais são mais valorizadas do que os próprios momentos vividos. Mas por quê? Por que tanta importância é dada para a acumulação de informações virtuais e à opinião alheia?

Em um lugar onde redes sociais são equivalentes a um status de vida, o registro e compartilhamento de informações pessoais recebe grande importância.

Jovens desde pequenos são apresentados a um mundo artificial. Com o historicamente recente avanço tecnológico, a população mais nova é a mais prejudicada pelas consequências que a internet traz. Sempre em seus telefones, a juventude é bastante influenciada pelas mídias. E com constantes postagens mostrando “vidas perfeitas” e “fotos maravilhosas”, é transmitida a ideia de que algo que não é postado, não é vivido. Portanto quem não divulga cada momento bom de sua vida, não tem vida social. O desejo de aprovação pela sociedade faz com que principalmente adolescentes postem e divulguem todas suas melhores memórias e lembranças.

A população acaba se preocupando tanto com fotografar e filmar momentos para os guardar, que não os aproveita. O medo de ser esquecido no século 21 é enorme. As pessoas querem ser eternas.

Consequentemente, para a sociedade é mais importante guardar e acumular informações do que perder e esquecer por causa da pressão que as mídias e redes sociais impõem. É doentio o vício de captar todos os momentos ao invés de aproveitá-los. Porém isso é praticado e ensinado pela humanidade. A sociedade atual não só vive em uma era digital, ela sobrevive.
Carolina Limoncic F9T

Real X Digital

A sociedade está cada vez evoluindo mais, e junto com a população, os aparelhos tecnológicos também. Hoje em dia, uma das ações mais corriqueiras é pegar o telefone, seja para ouvir música, responder ao chefe, tirar uma foto... E isso é tão normalizado, que ninguém repara no quão estamos ficando dependentes cada vez mais.

Além da nossa memória biológica, temos outra, a digital, onde você pode armazenar milhares de fotos, vídeos, músicas, redes sociais... E, muitas vezes, trocamos a experiência de viver o momento para gravar um vídeo, já que na nossa memória biológica, o risco de esquecimento ou daquele momento se perder no labirinto de nossas mentes é muito maior do que o do vídeo se perder na galeria do celular.

Nós, seres humanos, quando gostamos muito de algum acontecimento, ou queremos guardar algum momento, temos o reflexo de começar a registrar em algum celular, pois temos medo de esquecer, de não lembrar daquilo. Para sempre lembrarmos apertamos um botãozinho e pronto, a mágica foi feita. Porém, uma grande consequência negativa desse hábito é você deixar de viver o momento, de gravar aquela experiência para depois vê-la em uma telinha que, por mais similar que seja, nunca será igual à experiência do evento.

Estamos vivendo cada vez mais em uma sociedade carente e dependente, onde priorizamos mais uma memória que será vista em uma telinha preta, sem nenhum sentimento REALMENTE envolvido do que viver intensamente aquele momento. E consequentemente, não lembrar de tudo, o que também não é um problema, pois é natural e bom esquecer, esquecer é saudável para a nossa sanidade e saúde mental. Vivemos em um mundo onde o “digital” é priorizado diante do “real”.
Aisha F9M

Imagens Eternas

A espécie humana sempre teve uma obsessão em guardar e documentar memórias por causa de um medo subconsciente da morte e de uma nostalgia idealizada. Quando falamos do passado, na maioria das vezes, nos lembramos de uma versão mais romantizada do que realmente aconteceu, especialmente quando estamos contando esses acontecimentos para outras pessoas. O medo de sermos julgados faz com que pulemos alguns detalhes e criemos uma linha temporal alternativa onde nossas vidas foram bem mais agradáveis.
As mídias sociais servem como uma prova da existência desta falsa linha temporal. Apenas nossos melhores momentos, fotos mais gatas e sorrisos mais largos são documentados e divididos. Por mais que este texto devesse ser sobre por que nossa sociedade gosta tanto de acumular memórias, eu gostaria de argumentar que, na verdade, a maioria prefere documentar apenas as boas memórias.
Se você tira uma foto num dia em que você estava estressado/a, você fica com uma cara feia e desanimada e aquela foto não te agrada, você a apaga direto sem pensar que um "eu do futuro" poderia olhar para ela com humor e pensar: "Eu estava tão bravo naquele dia, olha a minha monocelha, hahaha."
Porém também penso que em 2019 o conceito de que as fotos e a vida que as pessoas postam na internet não é realidade também já é um pouco manjado. Hoje em dia, eu percebo muito as pessoas tentando fazer com que suas linhas temporais falsas aparentem mais autênticas. As pessoas publicam fotos borradas, sem maquiagem, para que os outros acreditem que suas presenças online são um pouco mais verdadeiras do que a de um típico usuário do Instagram.
Mas, no geral, acho que obsessão da humanidade por preservar e capturar memórias vem de um medo fundamental da morte. Nós priorizamos os momentos passados e queremos revivê-los, porque neles nós não estávamos tão perto da morte como estamos no presente. E, com essa nova era tecnológica, nós podemos passar horas e horas revivendo esses momentos.
Cecília F9T

Memórias Verdadeiras, Sentimentais

A memória de cada um é única, especial em diversos sentidos para quem as tem. A memória pode ser um pedacinho do passado em "gravações" em alta definição, pode nos trazer emoções e sentimentos sinceros.

Em nosso mundo atual, existem memórias artificiais e arquivos externos, como galeria de fotos na nuvem, onde é possível "rever" nossas memórias guardadas.
Para mim, as pessoas acreditam que "guardar memórias" é reconfortante, para poder relembrar sem muito esforço e não ter que enfrentar o mundo das nossas memórias. O acúmulo de informações pode significar que o momento ficou realmente guardado e que ele, talvez, não será esquecido.

Sinto que guardar informações, como vídeos e imagens, é reconfortante, porém entendo, sinto e sei que preciso mudar isso em mim. É que precisamos aproveitar mais o momento, o presente. Viver o agora é essencial para que possamos aproveitar a nossa vida, que é única. Pode ser difícil abrir mão de memórias artificiais, mas precisamos pelo menos diminuir o excesso e o acúmulo que produzimos com nossas tecnologias.

A vida pode acontecer de forma muito rápida e chata se não aproveitarmos ela bem, não sentirmos que ela pode ser especial. Ela só iria ser aproveitada e se tornará especial e marcante se a vivermos desse jeito. Necessitamos mais do que nunca focar em criar memórias verdadeiras, com emoções e sentimentos marcantes.
O sentimento de perda e de esquecimento pode fazer com que pessoas se sintam vazias, fracas, e com isso elas fazem com que o sentimento de perder se transforme em uma memória infinita, ou quase. Essas pessoas podem até pensar que "acumular" memórias possa preenchê-las e a deixá-las felizes, porém estes podem ser sentimentos inventados pelas máquinas. As memórias artificiais não terão emoções; em contrapartida, guardamos sentimentos em nós mesmos através das nossas memórias afetivas guardadas em nosso subconsciente.

Principalmente as gerações que estão por vir precisam aprender e conviver com o exercício de criar memórias especiais e a deixá-las guardadas em um lugar bem seguro, em seus interiores.
Ayme F9

As Faces da Memória

Desde o início dos tempos, os seres humanos gostam de registrar acontecimentos através das imagens. Pinturas rupestres, pinturas a óleo, fotos por máquinas fotográficas. Por mais que muitas vezes fosse difícil, capturavam esses momentos para guardar. Hoje em dia, de certa forma, fazemos o mesmo, mas em proporção bem maior. Registrar ficou mais fácil e, consequentemente, mais banal. As redes sociais foram criadas, facilitando também a divulgação dessas imagens. Mas como o fácil acesso a essas tecnologias muda a forma como guardamos memórias? Com um registro formal ou informal dessas lembranças, será que deixam de ser nossas?

Em uma primeira análise, podemos perceber que as memórias nunca são as mesmas. Elas sempre sofrem diversas alterações, e não são um registro perfeito do que aconteceu. Às vezes misturam-se com outras, que também não necessariamente são suas, e viram algo novo. A partir do momento em que ela é registrada, o espaço da imaginação se perde. Se é uma memória infantil, lembraria dela com sua mentalidade da época, mas com vídeos e imagens, só é possível ver o que realmente aconteceu, e não o que você guardou.

Entende-se, então, que para a sociedade moderna, o conceito de memória se modificou. Não temos mais apenas lembranças naturais. Temos memórias virtuais, armazenadas em pendrives, nuvens, arquivos e redes sociais. Lembranças do Facebook e do Instagram, que agem como nosso “amigo”, e não nos deixam esquecer.
No entanto, também temos participação nessa causa. Muitos se importam mais com a apresentação dos registros das vivências do que com por que realmente estão vivendo aquilo. O que isso provoca num contexto geral? Ficamos tão ligados na vida virtual que não vivemos direito com quem está ao nosso lado hoje e pode não estar amanhã.

Por isso, deveríamos nos preocupar menos com esse tipo de memória. Deixar os eletrônicos um pouco de lado e viver as experiências por inteiro. Criar nossas memórias naturalmente e deixar que elas se bastem e se limitem a somente nossas cabeças. Evitar os agentes que nos observam pelo celular faz bem de vez em quando.

Além disso, esquecer faz bem também. Não precisamos guardar tudo. Não precisamos sofrer igual a Funes, de Borges. As pessoas se preocupam demais com o esquecimento, querem guardar tudo e se lembrar o máximo possível. Mas, se vivermos tirando fotos, o que realmente vai ficar na memória?

Diante desse cenário, temos que nos preocupar menos com o armazenamento das “memórias” nas gavetas virtuais. Viver mais no presente e nos permitir o esquecimento. Assim, acredita-se que seremos mais felizes.
Julieta F9M