F9 - 2019

Não Desligue Sua Máquina do Tempo

Ragnar Av Asgard
Estamos sempre contando histórias, e creio que fazemos isso para não nos desligarmos: é como se, para nos mantermos sempre ativos, conectados no mundo, tivéssemos que contar histórias, mesmo que seja para nós mesmos (isso acontece principalmente quando estamos dormindo). Parece-me que se parássemos de contar histórias, nós desligaríamos, como se fosse um coma, ou uma morte.
Além de não nos deixar desligar, contar histórias é uma forma de estar sempre aprendendo coisas ou revendo assuntos; de ir ao futuro e ao passado através de nossos conhecimentos já adquiridos e os futuros requerimentos. E não só ao passado e ao futuro podemos ir: entre histórias contadas de pessoa para pessoa, existem muitas coincidências, sincronicidades que expandem nosso conhecimento sobre o nosso agora, o nosso presente. Até mesmo quando se trata de uma história para descontrair, relaxar, nossa "máquina do tempo mental" está funcionando.
Histórias são, basicamente, a fonte para o nosso cérebro, nossa máquina do tempo continuar funcionando, mantendo-nos ligados no mundo. São nossas fontes de entretenimento e estudo ao mesmo tempo, sem as quais (teórica e humanamente) não podemos viver.
(Ragnan Av Asgard))

Bagagem

Alice Repetto
As histórias estão presentes em nossas vidas de diversas maneiras. Contamos histórias com o intuito de compartilhá-las, de exportá-las para além de nossas mentes. Carregamos tantas histórias de vida, que nem conseguimos lembrar de todas. As histórias são nossa bagagem mundo afora.
Temos necessidade de histórias. Usamo-las como nosso lazer. Nossas conversas, livros, filmes e nosso folclore são repletos de histórias. Até em nosso subconsciente, quando estamos sonhando, produzimos histórias.
Contamos a história de tudo, desde que o planeta passou a existir. Não é à toa que existe uma matéria escolar chamada História. Tudo que surge tem uma história. Tudo que é vivo produz história. Viver é ser constante. A todo momento vamos escrevendo nossa história, de acordo com as escolhas que fazemos em nossa trajetória de vida.
Uma história pode ser contada de diversos jeitos. Contar uma história auxilia a pessoa que conta a entendê-la melhor. O conhecimento é a consequência de ouvir uma história. Esta pode ser interpretada de modos diferentes, dependendo da pessoa que a escuta. A partir do momento em que é contada pela primeira vez, a história se transforma conforme vai passando de boca em boca, sendo incluídas nela as interpretações de quem as repassa.
As histórias são formadas na cabeça das pessoas e, assim como nós, estão em constante transformação.
(Alice Repetto)

Histórias Vão e Vêm, Conte-me Uma Também.

Pena Ruiva
Contos e histórias, para a mãe fazer o filho dormir, um mundo é criado através de uma grande história de contos de fadas, ou talvez de super-heróis. Mas naquela noite, a criança queria ouvir as histórias de quando a sua mãe era pequena como ela.
As histórias podem ser contadas por qualquer tipo de pessoa. Na correria de uma conversa de trem, em uma lanchonete lotada, no pátio da escola. Só o que não pode faltar em uma história, por mais cotidiana que seja, é um começo.
Pelas histórias contadas para nós podemos imaginar, na maioria das vezes, aspectos diferentes, cenários mudados e até as pessoas dentro dela completamente diferentes do que está passando no pensamento da pessoa que está a contar.
É importante contarmos histórias para outras pessoas, pois com elas podemos desabafar, explicar o “nosso lado da história” e também nos aproximar de quem estamos a contar. Quando conhecemos alguém e queremos ficar minimamente mais íntimo dela, na maioria dos casos contamos histórias sobre a nossa vida, como acontecimentos passados. A pessoa, para retribuir, conta histórias de sua vida também, e assim acabamos nos aproximando da pessoa por meio de uma conversa com/de histórias.
Para nossos amigos e familiares, nas nossas vidas cotidianas, acabamos contando histórias sobre nosso dia, às vezes sem nem perceber. Isso acontece, pois estamos muito acostumados a contar sobre acontecimentos com quem convivemos muito, com quem convivemos pouco ou quem está distante de nós.
O que faz uma história ficar convidativa e especial para nossos ouvidos não são, por exemplo, fatos que adicionamos a mais para “ melhorá-la”, mas sim o jeito como contamos. Uma entonação boa, gestos, tons diferentes na voz podem fazer uma história completamente diferente. Às vezes, para fazermos uma criança dormir, não adianta só ler sem entusiasmo frases escritas em um livro, mas sim entrar na história que gostaria de contar e assim acabando, em diversos casos, entrando no mundo que é a leitura.
Histórias são especiais se você as fizer especiais, por isso ouça o que te contam, que ouvirão o que você tem para contar.
# leia para uma criança!
(Pena Ruiva)

Nós Somos Uma História?

Estrela
Sempre que falamos ou pensamos na palavra história, automaticamente a nossa mente nos faz imaginar algo grande, como um conto, um filme, algum acontecimento marcante... Porém tudo é uma história, cada pequeno acontecimento do seu dia, por mais banal que seja, é uma história; a conversa que você ouviu da moça que sentou ao seu lado no ônibus é uma história. Então praticamente cem por cento da sua vida será um GIGANTE conjunto de histórias. Mas, qual a necessidade de contar nossas histórias?
Pois enlouquecemos se ficamos com tudo, em nossa mente, guardado para nós mesmos; nosso cérebro pifa, por isso os psicólogos ou terapeutas existem. Se você parar para pensar, elxs são pessoas que são pagas para ouvir as suas histórias. Por isso falam que todxs nós devemos ter umx piscólogx ou terapeuta, para assim não enlouquecermos e, em certos casos, não ficarmos mais loucos.
As histórias existem, pois além do fato de que tudo é uma história, acho que nós somos movidxs por elas, nós somos guiadxs pelas histórias que sabemos, falamos, ou ouvimos. As histórias complementam/montam o nosso conhecimento, nos tornam pessoas mais cultas, politizadas; elas podem formar nossas opiniões. As histórias podem nos levar para certos lugares ou até certas pessoas. É interessante pensar como apenas uma palavra ou uma história pode nos mover, pode nos levar a fazer certas coisas.
Os seres humanos não param de pensar literalmente um segundo, somos uma máquina de pensamento. Afinal, estamos pensando mesmo enquanto dormimos, o que, na teoria seria nosso momento para nos autodesligar, mas nossa mente não para! Também devemos refletir que o pensamento é uma forma de história, porém uma história não exposta, dentro da sua cabeça, histórias particulares, íntimas, secretas.
O mundo é conduzido por histórias e não apenas o mundo, mas muito do que está habitando nele. Como nós, seres humanos, as histórias estão em toda parte, ao nosso redor e do outro lado do mundo . Elas nos habitam, desde sempre, para sempre.
(Estrela)

Que História Tem Por Trás da História?

Charlotte Castro
Por que precisamos contar histórias?
Eu nunca havia pensado nisso. Quase todas as minhas conversas se baseiam em contar histórias. Histórias sobre mim, sobre os outros, histórias que eu ouvi. Quando vou ao teatro, espero ouvir uma história interessante, e que pode ser contada de diversas formas. Através da música, da dança, de pinturas, de desenhos e tantos outros. Na aula de Teatro aprendemos as melhores formas de contar histórias e como transmitir da melhor forma para o público.
O que faz uma história mais interessante para uns do que para outros? O que seria de nós sem as histórias?
As histórias podem fazer mal ou bem, podem influenciar o que pensamos ou nos fazer refletir. Elas podem ser reais ou fictícias. Elas podem ser sobre pequenas coisas e terem grande significado. Elas podem mudar se diferentes pessoas as contarem. Se eu me identifico com a história, ela vai ter outro significado, importância para mim. Se conversas se baseiam em histórias, quando não gosto de falar com alguém quer dizer que não gosto das histórias que conta?
Todos nós guardamos histórias por trás da máscara. As histórias nos mudam, nos transformam. Histórias necessariamente são algo que aconteceu? Afinal, há de vários tipos.
A maior história do mundo é a matéria que aprendemos na escola? Acho que sim, ela nunca acaba. Ou será que acaba? Quais são as outras histórias na galáxia? Um dos maiores desejos dos humanos é descobrir essas histórias!
Logo, as histórias são fundamentais nas relações entre as pessoas. Elas são e sempre foram importantes para formar os seres humanos.
Existem muitos tipos de histórias e todas elas têm alguma importância ou interferência em nossas vidas.
Sem histórias, não saberíamos viver.
(Charlotte Castro)

As Girafas São Azuis

Larimar
A gente é como se fosse um livro cheio de histórias que quase nunca acabam. Sentimos necessidade de contar e ouvir histórias, pelo simples motivo de que elas nos libertam e dão a chance de sabermos mais sobre aquela pessoa ou personagem. Ainda dão a possibilidade de espera às pessoas pelo lado de dentro.
Quando conhecemos alguém, normalmente começamos a nos apresentar pelas nossas aventuras que ninguém nunca imaginou que seriam possíveis.
Temos necessidade de estar entretidos toda hora com histórias. Chegando nos sonhos, histórias que são narradas pelo nosso inconsciente para nós mesmos. Os meus nunca vão ser normais. Enquanto tem gente que sonha com a Lady Gaga, eu sonhei que teve uma guerra entre mim e uma girafa azul com manchas brancas.Tivemos que batalhar em uma arena enorme pós-apocalíptica com carros gigantes.
Todas as histórias humanas dariam um romance. A vida de cada um daria uma novela, pois não existe maior aventura do que viver.
(Larimar)

Sem Título

Guilômetro
Podemos pensar em histórias de diferentes formas. Histórias do mundo, dos povos, histórias vividas e até inventadas, cada qual com o seu valor, seja para a pessoa que conta ou para quem ouve. O sentido da história muda a partir do referencial de cada um.
Estamos sempre ouvindo, contando, lembrando de histórias, pois são importantes para conhecermos mais os outros e nos conhecermos ainda melhor. É uma necessidade que temos, e que nos torna melhores ouvintes. Quando ouvimos histórias, podemos saber se a pessoa que as conta é engraçada, bem-humorada, quais são suas experiências e que memórias ela traz.
O que mais acontece comigo é lembrar de minhas próprias histórias. É quase sempre uma dádiva pensar nelas, lembrar dos meus tempos de criancinha, pensar que eu era da pá virada e muito motivado. Por que é quase sempre uma dádiva? Às vezes, pensar na minha infância me traz saudade daqueles tempos, pois é algo único, são lembranças só minhas, minhas! E é algo para se expandir e guardar para sempre. Minhas memórias não têm valor para mídia, porém, dentro de mim, são de extrema importância. Como já dizia a música do Chico Buarque sobre a história que não sai do jornal. "A dor da gente não sai no jornal". Nem as dores nem as alegrias, mas nem por isso são histórias menos importantes.
(Guilômetro)

O Que Ultrapassa o Físico, o Líquido, o Sólido e a Matéria.

Flumine
O que nós somos? Um corpo? Uma capacidade?
Acredito que as histórias quebram um pouco a ideia de um ser de matéria, pois nos tornam mais como um ser de pensar, de raciocínios, sensações e afetos.
Nós praticamente sobrevivemos de cumplicidade e de contato com o outro. Somos constantemente afetados pelo exterior e por suas ideias, sendo elas no geral ( como uma informação de massa) ou singular (que diz mais sobre as nossas relações como indivíduos).
Acho que a necessidade de contar histórias ocorre pelo fato de sermos influenciadores e influenciados por uma corrente de desejo de comunicação para nós nos sentirmos amados.
Tudo que eu sou faz parte do que eu passei e de alguém(s) que me fez ter uma certa percepção que eu nunca teria sozinha. Assim como tudo que um corpo diz sobre sua história, sua trajetória.
As histórias ultrapassam o físico, o sólido, o líquido, a matéria e nos dão nome, vida e essência.
(Flumine)

Sem Título

Annie
Basicamente tudo tem uma história por trás. Da mais fácil até a mais difícil de se ler. Se alguém conta alguma coisa, tem um motivo. Se alguém sonhou alguma coisa, tem outro motivo. Se alguém foi em algum lugar, tem mais um motivo.
E todos esses motivos têm histórias por trás, que são diferentes, mas no final, têm a mesma função: explicar o acontecimento e ajudar nas lembranças.
Nós contamos histórias para podermos nos livrar de um grande incômodo dentro de nós. Para sentir a sensação de liberdade. De saber que mais alguém sabe do seu segredo que ninguém podia saber. Contamos para compartilhar bons ou maus momentos com alguém. Contamos histórias para pedir conselhos, quando nossa cabeça não sabe mais para onde ir. Sempre contamos histórias.
Durante o contar de uma história, normalmente tem uma pessoa que gosta de falar/contar e outra que gosta mais de ouvir. Na maioria das vezes, a pessoa que fala é alguém mais velho, ou que já teve várias experiências. E a que escuta é alguém mais novo, que ainda tem muitas histórias para ouvir e contar.
A importância das histórias? Ouvir e contar histórias é muito importante para saber como alguém está, para sentir, para se expressar, para se comunicar, para conversar .... É importe para tudo! Enquanto vamos crescendo, vamos ouvindo e contando cada vez mais histórias. E essas histórias, que ouvimos de pessoas que já passaram pela mesma situação, nos ajudam a tomar decisões, que não tomaríamos sem elas.
Quando contamos histórias, nós guardamos na cabeça as mais engraçadas, as mais tristes, e as mais marcantes, para sempre. Quando estamos indo dormir, ou simplesmente sonhamos acordados, nós nos lembramos desses dias, e pensamos nas palavras perfeitas para se dizer nesses momentos, mas que não dissemos. Rimos de muitos momentos felizes com pessoas boas, e às vezes até choramos lembrando de momentos tristes. E isso tem nome: lembrança.
Lembrança é aquilo que por mais que a gente se esforce, não sai da cabeça. Normalmente um momento especial que merece ser lembrado
Sempre contamos histórias, dormindo ou acordados. Rindo ou chorando. Nós sempre nos relacionamos com alguém através das lembranças.
As coisas têm uma história por trás, pois se não tivessem, não teria a mínima graça rir e chorar dela. Eu tenho certeza. Absoluta.
(Annie)