Conversa Vai, Conversa Vem: com a Palavra Você Também!

O que é comunicação? O que é linguagem? Em que diferem? Os primeiros sistemas criados prescindiam do aparelho vocal? Como se dá a comunicação não verbal? Como nos comunicamos através do corpo? Qual a importância da palavra, o poder da fala e da escuta nas interações humanas? De que forma a escrita alterou a função original da memória e que compensações ela trouxe para a humanidade? Como as tecnologias vêm interferindo nesse desenvolvimento desde a pré-história aos nossos tempos pós-modernos, dos hieróglifos aos bytes, da prensa ao computador, da arte rupestre às produções multimídia, das mensagens de fumaça às ondas invisíveis? Será que a comunicação é um privilégio dos humanos? Ou os outros seres vivos também se comunicam? Se sim, quais as características e diferenças dos sistemas utilizados? São intermináveis as questões e inúmeras as hipóteses, o que nos faz perceber a complexidade do assunto.

Convidamos toda a comunidade escolar a pensar, refletir e pesquisar esse fenômeno; desvendar seus enigmas, dinâmicas e a importância do ato, do processo e da arte de comunicar. Queremos pensar a comunicação como algo que pode valorizar o encontro de diferentes sujeitos; o diálogo na resolução de problemas; a escuta afetiva e a produção coletiva de sentidos. Precisamos pensar em formas de produzir com nossas crianças, jovens e adultos uma comunicação dialógica que contribua para a construção de conhecimentos, em detrimento da mera reprodução de informações, muitas vezes marcadas pela falta de fundamento, argumento e método.

Vivemos um mundo preenchido de tecnologias e meios para nos comunicar. Recebemos diariamente uma avalanche de informações para processar. Porém, cada vez mais, sentimo-nos inseguros em relação à veracidade e à legitimidade dessas informações. Como criar critérios para ler e interpretar o mundo? Como avaliar as informações que circulam na mídia? Como nos proteger das falsas informações que muitas vezes produzem ruídos, conflitos, exclusões, preconceitos e juízos equivocados, afetando as relações e fortalecendo as estruturas hierárquicas de poder?

A comunicação transmissional ou informacional, hegemonicamente ensinada e praticada nas escolas e nos tradicionais meios de comunicação, parte do pressuposto de que existe um emissor, detentor do saber, e um receptor, que muitas vezes está em lugar passivo.

Na Sá Pereira, acreditamos que o sentido da comunicação não se restringe a uma informação corretamente compreendida e aceita, mas a uma construção resultante das relações entre os indivíduos e entre os diferentes grupos. O exercício do livre pensamento e a convivência democrática nos conduzem ao reconhecimento do outro e do seu direito à participação comunicacional ativa; ao respeito às diferenças e à diversidade, sem minimizar a importância do rigor científico.

Os grandes debates das ciências e a forma como essas teorias foram e são divulgadas certamente poderão ser revisitados nesse percurso de estudo e pesquisa, lembrando sempre que os caminhos da razão e da fé podem ser paralelos, mas nunca misturados ou confundidos.

Nossos desafios serão entender a comunicação como um direito humano fundamental; compreender o diálogo como caminho para a construção de uma sociedade democrática; e investigar a comunicação como um construto resultante das trocas humanas. Ouvir, escutar, falar, conversar envolvem dois ou mais sujeitos que querem construir histórias, memórias e práticas. Precisamos entender quais histórias, memórias e práticas são essas.

Por meio da palavra compartilhada, da fala em diálogo, dos gestos acolhedores, do olhar curioso, da escuta que busca compreender o outro, da imagem, das artes, da literatura, da brincadeira, do modo de nos vestir e de agir no mundo, podemos nos comunicar, nos expressar e caminhar para uma sociedade com encontros mais respeitosos e mais humanos.