Da Cabeça aos Pés: que Histórias o Corpo Conta?

O que um corpo sente, expressa, reflete, informa? Como se constitui e funciona? O que é um corpo?
Tentar responder a essas perguntas nos obrigará a dar um mergulho nas ideias, produções e emoções humanas. E nos fará dialogar com inúmeras áreas do conhecimento.

O que dá sentido ao corpo não são suas partes, mas sua constituição como totalidade que ganha sentido nas relações e no diálogo com o mundo, com os outros.

São essas relações que deixam marcas, memórias, histórias. Nessas interações, o corpo ganha significado e se transforma ao vivenciar afetos, agressões, sensações, motivações, regras, leis, imposições, espaços e tempo.

Herança genética, desenvolvimento e finitude, liberdade e coerção, peculiaridades do contexto cultural, social e histórico; são inúmeros os determinantes que interferem em sua forma, trajetória, gestos, postura, aparência, expressão, impulsos, pulsões, existência.
Diferentes origens afetadas por contextos que educam o corpo num tempo.

De um corpo indivíduo, que carrega uma identidade própria, passamos a um corpo coletivo, constituindo diferentes grupos, populações, ganhando novos sentidos e potência.

Assim, o corpo é um texto a ser lido.

As crianças e os adolescentes sempre nos trazem suas curiosidades e inquietações sobre o tema. Desde a Educação Infantil até o Fundamental II.

Para os bem pequenos, quando a ação importa um pouco mais que a reflexão, o corpo é um lugar de percepção de si mesmo e de descoberta do mundo. Pelos sentidos... olhar, escutar, tocar, cheirar, saborear; e também pelo movimento e pela atenção aos detalhes, é possível conhecer, perceber, cuidar do próprio corpo, construir sua identidade e interagir com o outro através da brincadeira, do jogo, da imitação, da criação e experimentação de todas as artes.

Para os mais crescidos, com a possibilidade de maior aprofundamento, poderemos pensar no corpo como objeto central de conhecimento, analisar suas diferentes representações na arte, as situações de dominação, exploração e resistência ao longo da história, em diferentes culturas. Visitaremos as discussões contemporâneas que apontam para um corpo idealizado, fabricado, cuja aparência é, muitas vezes, imposta por modelos midiáticos. Entre muitos caminhos e abordagens possíveis, refletiremos sobre as questões de gênero e sexualidade que tomaram as discussões sobre a arte e a educação na sociedade contemporânea, sempre buscando o diálogo com os conteúdos das disciplinas escolares, criando contextos significativos de aprendizagem e novas narrativas.

Está aí nosso desafio. Nós mesmos, o nosso corpo, o corpo humano, suas histórias como tema de estudo.

Ampliaremos as discussões, entendendo o corpo como um sistema, seja na dimensão biológica, cultural, social, histórica... E no diálogo entre estas.