AS CIDADES

Das Aldeias às Grandes Metrópoles

Como as crianças vêem a sua cidade? Por que, hoje, existem mais pessoas nas cidades que no campo? Como surgiram as primeiras cidades? Como serão as cidades no futuro? Quais as vantagens e os problemas da urbanização crescente? Como tanta gente diferente pode conviver em uma mesma cidade? Quantas formas diferentes de viver se pode conhecer em uma cidade? Qual a sua naturalidade? O que é ser cidadão? Como nossas escolhas e decisões políticas podem interferir na construção da história e do espaço geográfico, na modificação do meio ambiente, nas relações de trabalho e afeto? Essas não seriam perguntas instigadoras para nossas crianças?
Sintetizar as tantas sugestões para o tema do Projeto 2010 não foi tarefa fácil. Depois de muitas discussões chegamos à ideia de que a cidade é o ponto onde deságuam nossas angústias e incertezas, dúvidas e esperanças. Buscando se organizar e organizar seus saberes e haveres, o homem foi se concentrando, para o bem e para o mal, nisso que chamamos cidades. Não existe nela nada que não tenha sempre existido no coração do homem, a não ser seus tamanhos, às vezes descomunais. Nelas imperam, como nos corações dos homens, o bem e o mal. Nelas afloram nossas virtudes e nossos vícios, principalmente os de opressão.

Observar criticamente as cidades, as nossas cidades, a nossa cidade, pode ser uma forma de conhecer o mundo e a nós mesmos. Pode ser uma forma de aprender como abrir espaço para os sonhos dos outros sem que com isso seja preciso abrir mão de seu próprio sonho. E tentar descobrir como a ordem poderia ser construída mais na busca de consensos que por imposições de autoridades.

Tentar buscar formas de participar de um processo de transformação de cidades que têm donos para donos de nossas cidades. E buscar, na história de nossa espécie, o quanto essa busca de estar juntos é apenas uma necessidade de proteção e produção, e o quanto ela vem da nossa necessidade de criação.
Olhar, através da história, como o processo de urbanização tem caminhado nas suas idas e vindas de acolhimento - opressão - acolhimento. Como caminha, nos seus desvãos, entre o serviço ao poder e o serviço às pessoas que as habitam. Analisar os processos de transformação que foram praticados nos levando quase ao esgotamento dos recursos naturais e buscar soluções mais sustentáveis, urgentes e necessárias para o bem estar de todos.

Como entender a diversidade de serviços que perpassam a nossa vida e como se organizam, formando um organismo que quase poderia ser chamado de vivo.

E quem sou eu diante desse ser que me chama cidadão. Eu, um indivíduo único, um elemento, designado pelo aumentativo do conjunto, do todo, do coletivo nós.

Acreditamos que o tema apontará para uma multiplicidade de abordagens e uma ampla abrangência de estudo, pesquisa e vivência. Estão aí, apenas, alguns dos caminhos possíveis para nossos alunos, professores e também para vocês pais, nossos parceiros nessa aventura.