Relatório de Grupo do Segundo Semestre de 2010

Projeto

Cidade ideal

O melhor da volta às aulas é conversar sobre as férias! Passeios, viagens e lugares tão diferentes. Cada criança conta um pouquinho do que viveu, aumenta um ponto desse conto e, assim, ficamos com mais vontade de conhecer esse mundão aí fora.
Pensamos em como seria uma cidade ideal. Relembramos nossos estudos sobre as cidades medievais, ouvimos a música "A cidade ideal", da peça "Os Samtimbancos", e discutimos como seria ela para cada um e para todos. Daí para a frente, trabalhamos com um aspecto bem real da nossa cidade, o lixo! E pensamos nas soluções possíveis e nas ideais.

Lixo: Para Onde Vai?

As crianças descreveram suas cidades ideais e desejaram uma cidade sem poluição, sem sujeira.
Foi assim que demos início ao novo Projeto "Lixo de onde vem? Para onde vai?".
Concluímos que este é um grande problema de todas as cidades do mundo, que precisamos pensar sobre ele em busca de novas soluções e conhecer os trabalhos que já são feitos.
Pensando na pergunta "De onde vem?", pedimos às famílias que escrevessem tudo que jogaram na lixeira no final de semana. Essas listas geraram boas discussões como o tipo de lixo que produzimos, como classificá-lo, o que podemos descobrir sobre os hábitos daquela família através do seu lixo etc.
Com a pergunta "O que é lixo?" provocamos a turma e iniciamos nossos estudos. As crianças responderam:
"Lixo é algo produzido pelo homem quando ele não quer mais alguma coisa. O lixo é sujo, polui o meio ambiente e transmite doenças quando não é cuidado. Mas quando é separado devidamente, pode virar uma coisa nova ou ser reutilizado." Texto Coletivo

Revirando o Lixo!

Reviramos o lixo da sala de aula. Com luvas descartáveis nas mãos, viramos a lixeira de cabeça para baixo. Encontramos muitas coisas, mas o que mais chamou a atenção foi uma pêra inteirinha embrulhada em papel alumínio. Ninguém quis ser o dono da fruta, mas o fato rendeu uma boa discussão.
Encontramos também muitos papéis, restos de lanches, pontas de lápis e embalagens. Separamos o que podíamos reaproveitar e chegamos à conclusão que precisamos de uma nova lixeira para a sala. Assim, pudemos separar nosso "lixo limpo" do "lixo sujo" e aproveitar muitos materiais que seriam jogados fora.
Para esta atividade, contamos com a presença da Dani, auxiliar que nos ajuda na limpeza da nossa sala. Ela nos informou quantos sacos de lixo produzíamos por dia, para onde esse lixo ia e, assim, chegamos ao Zé Roberto, que além de porteiro, é responsável por muitas coisas dentro da escola, inclusive o destino do nosso lixo.
Depois de analisar melhor a situação do lixo na escola como um todo, contarmos as lixeiras que existem, e que tipo de lixo recebem, pudemos estimar a quantidade e a qualidade do lixo produzido na Sá Pereira.
Convidamos o Zé para responder algumas perguntas: quantos sacos de lixo ele colocava na rua todos os dias; quantos destes eram de lixo reciclado e quantos eram de lixo comum; que dias da semana o caminhão da Comlurb passava e que dia passava o caminhão da coleta seletiva.
Em casa, as crianças fizeram as mesmas perguntas para o porteiro responsável pelo lixo do seu prédio e, juntando essas informações, chegamos a uma triste conclusão. Nem onde moramos e nem na escola, conseguíamos fazer, de forma efetiva, a coleta seletiva. Ainda jogávamos nosso lixo fora, misturando as coisas, sem pensar no destino correto de cada elemento.
Foi assim que decidimos entender melhor o caminho que esse lixo fazia, que caminhões eram esses e, afinal, que destinos o nosso lixo tinha.

Dermeval!

Vocês conhecem o Dermeval? Ele é o gari responsável pela varreção das ruas ao redor da escola.
Durante o projeto, ele nos visitou, respondeu às perguntas das crianças e ainda trouxe curiosidades como os materiais que utiliza para trabalhar, os tipos de serviços que existem dentro da Comlurb e os diversos caminhões que são utilizados.
Pudemos saber um pouquinho como é a vida de um gari: a que horas acorda, que serviços deve fazer, como se prepara para o trabalho, que tipos de lixo encontra pela cidade e outras curiosidades.
Também pudemos refletir sobre o tipo de lixo que a própria cidade produz, como a poeira e a terra que se espalham pelas ruas, as folhas e galhos que caem das árvores e, assim, entender um pouquinho como isso influencia no planejamento do crescimento dessa cidade. O quanto ajuda uma rua ser asfaltada, ter bueiros nos cantos, os tipos de árvores que devem ser escolhidas para plantar.
Conversamos sobre a importância de manter as ruas desobstruídas, tanto do lixo produzido pelo homem quanto do lixo produzido pela cidade, para que, no caso de uma chuva forte, a cidade não alague.
Dermeval foi otimista e disse que em sua vivência de 10 anos varrendo as ruas de Botafogo, acredita que a quantidade de lixo jogada no chão vem diminuindo bastante. Ficamos felizes em saber!

Troca troca

Aproveitando a ideia dos descartados, fizemos um troca- troca entre as crianças. Cada uma trouxe um brinquedo ou objeto que já não queria mais, produziu um classificado, defendendo seu objeto, contando um pouquinho de sua história e de seu antigo desejo por tê-lo. Assim, com bastante desprendimento, puderam trocar seus objetos e levar um novo brinquedo para casa. Dessa maneira, entendemos que algo que pode ser descartado e sem valor para alguém, nas mãos de outra pessoa, pode ganhar um novo sentido e ser valorizado novamente.

Ai de ti, Carioca!

Fomos ao Aterro do Flamengo para conhecer o famoso Rio Carioca. Em reportagem do Jornal do Brasil, lemos que ele matou a sede de muitas pessoas quando a cidade começou a surgir. Era um rio largo por onde subiam canoas que recolhiam produtos das chácaras do Vale das Laranjeiras. Ele nasce no alto do Corcovado e vem descendo, passando pelo Cosme Velho e Laranjeiras, até desaguar na Praia do Flamengo. Chegando à estação de tratamento, pudemos ver como chega sujo, pois vem recebendo lixo da cidade, esgoto ilegal das casas e do comércio.
Na estação, vimos todo o processo de limpeza da água antes de ser despejada na Baía de Guanabara. E o mais importante foi nos darmos conta de que o ideal seria não poluí-lo.

Lixo? Será que é lixo mesmo?

Ao final do lanche, separamos as cascas de frutas para fazer um bolo. No início, as crianças acharam meio estranho, mas quando experimentaram, lamberam os dedos e pediram mais.
Aproveitamos para conversar sobre o lixo orgânico e o que fazer com ele. Onde descartá-lo? Quais as soluções bacanas que já existem para reduzí-lo nos aterros sanitários? E como, em casa mesmo, podemos contribuir?
As crianças pesquisaram e descobriram a compostagem e as receitas com aproveitamento integral dos alimentos.

Composteira

Fizemos uma composteira e acompanhamos de pertinho o processo de decomposição dos restos de alimentos que foram misturados com terra, húmus e borra de café. Mexendo na terra, observamos os fungos que só são vistos a olho nu quando aglomerados em grandes quantidades.

Receita

Bolo de laranja com casca

Ingredientes:
1 laranja pêra cortada em 4 pedaços, com a casca e sem semente;
4 ovos inteiros;
1 xícara (chá) de óleo;
1 ½ xícara (chá) de açúcar branco;
½ xícara (chá) de açúcar mascavo;
1 xícara (chá) de farinha de trigo;
1 colher (sopa) de fermento em pó.

Ingredientes para a cobertura:
suco de 2 laranjas-pêra;
2 colheres de açúcar de confeiteiro.

Modo de preparo:
Leve ao liquidificador a laranja, os ovos e o óleo e bata por 2 minutos e meio. Derrame essa massa em um outro recipiente e adicione as farinhas e os açúcares. Bata essa mistura com a batedeira, até obter uma massa homogênea. Acrescente o fermento e mexa até misturá-lo bem com a massa. Coloque a massa do bolo numa forma untada e polvilhada com farinha de trigo. Leve ao forno médio, previamente aquecido, por aproximadamente 25 minutos, ou até que, perfurando-o com um palito, este saia sequinho.

Em um recipiente, misture bem o suco de laranja com o açúcar de confeiteiro. Assim que o bolo já estiver morno, derrame o suco de laranja sobre ele, espalhando por igual. Espere uns 15 minutos e sirva em seguida.

O que será que acontece com uma casca de banana se a deixarmos fechada dentro de um pote?

Fizemos uma experiência que nos acompanhou o semestre inteiro: fechamos, uma casca de banana, dentro de um pote transparente e deixamos ela apodrecer.
Apodrecer? Isso mesmo, começaram a aparecer fios brancos, coisas verdes, a casca da banana ficou mais fina, escureceu e nós ficamos curiosos, querendo entender o que estava provocando aquilo tudo.
Pesquisamos, perguntamos e descobrimos que essa transformação chama-se DECOMPOSIÇÃO e é realizada por fungos e bactérias que existem por toda a parte. Eles são responsáveis pela decomposição da matéria orgânica que jogamos no lixo, provocando mau cheiro, gás metano e chorume.
Em grande quantidade, como nos lixões, esse processo torna-se muito perigoso, pois o gás metano, além de tóxico, pode ser explosivo. E o chorume, quando absorvido pelo solo, polui os lençóis freáticos, contaminando toda água que usamos.
O que aconteceu com a nossa banana?
O que acontece é que nos alimentos estragados, o número de bactérias e fungos é muito maior. Eles acabam ficando muito próximos uns dos outros, como uma porção de gente apertada num elevador. Por isso, é que pudemos ver os bolores e manchinhas a olho nu.

6 R's

Depois de tanto pensar e conversar sobre tudo que envolve o "lixo", conhecemos algumas palavras com "R" que ajudaram a sintetizar o que estamos aprendendo com o projeto. Descobrimos que esses Rs são bem conhecidos por aí, e, que a cada pesquisa que fazemos, nos deparamos com mais um. Paramos em 6 e fizemos um texto coletivo para explicá-los a todos.

“Pratique os 6 Rs:
Quando falamos sobre o lixo, REPENSAR é fundamental, pois precisamos ter consciência dos impactos que ele provoca no ambiente. Pensando e repensando sempre, conseguiremos RECUSAR os produtos que causam mal a natureza e, assim, diminuir o seu consumo e produção. Podemos RECUPERAR e REUTILIZAR ao máximo as coisas que jogamos fora, e, desta maneira, REDUZIR o volume do lixo que produzimos. Ainda assim, o lixo que sobrar deverá ser separado corretamente para RECICLAR." Texto Coletivo

Reutilizando e reciclando!

As crianças foram divididas em duplas e trios para pesquisar algumas soluções bacanas que já existem em relação à reutilização e reciclagem do lixo. O objetivo principal foi proporcionar uma troca de informações com todo o grupo sobre diversos aspectos: compostagem; decomposição do material orgânico por fungos e bactérias; os 6 R´s; soluções para o acúmulo de sacolas plásticas no ambiente; plástico biodegradável; descarte correto de óleo de cozinha, pilhas e baterias; artistas que fazem brinquedos de sucata; objetos de decoração feitos com materiais reutilizados; reciclagem de diferentes materiais encontrados no lixo; a história das cooperativas de catadores e o que mudou na vida deles; e, por fim, o uso de componentes do lixo como material de construção. Esses foram os temas escolhidos pelas famílias e pelas crianças. Para essas pequisas foram muitos os procedimentos envolvidos. Foi importante, por exemplo, que o material pesquisado fizesse sentido para as crianças e fosse lido e escolhido por elas, pois, só assim, poderíamos garantir que dariam conta de expor aos amigos tudo que aprenderam ao realizar seus estudos e preparar seu cartaz.

Garrafas PET

No troca-troca das nossas pesquisas conhecemos as inúmeras possibilidades de reutilização da garrafa PET: vassouras, camisetas, tênis, potes, etc. Conseguimos juntar garrafas PET suficientes para fazer dois pufes. Foi muito legal a construção de cada um deles e o empenho de toda escola em contribuir com as garrafas. Eles foram assinadas pela turma e ficarão na biblioteca para que todos possam usar!

Mutações - Mais soluções!

Visitamos a loja Mutações no Largo dos Leões. O objetivo da visita foi observar de perto alguns objetos produzidos a partir de materiais reutilizados. Também estávamos curiosos para entender como surgiu a ideia da loja, que tem como proposta mostrar às pessoas o que é possível fazer com coisas que costumam ir para o lixo. Julia e Mariana, donas da loja, responderam que já tinham o hábito de separar seu lixo pessoal e de reaproveitar e reutilizar ao máximo suas próprias coisas. A vontade de divulgar tudo o que elas sabiam era grande e nesse processo descobriram muitos artistas que pensavam e produziam dessa forma. As crianças ficaram maravilhadas com tantas possibilidades e criatividade.

Getúlio

"A turma visitou o Getúlio. Ele fez um boneco que era uma menina com saia e um passarinho com o bico fechado. Nós ficamos assistindo ele fazer os brinquedos sentados em uma espécie de bondinho feito por ele e em um "banco - boi". Depois disso, cada criança pode escolher um brinquedo para levar para casa e todos fizeram questão de sua assinatura. Todo mundo ficou feliz de ganhar um brinquedo feito por ele.
Texto coletivo

Festa!

"A nossa Festa Pedagógica foi no dia 10/11 na pracinha do Largo dos Leões. Fizemos uma apresentação muito legal com instrumentos de sucata: usamos latões, galões, latinhas, sacos de lixo e baquetas. No início da apresentação, fizemos uma encenação fingindo que estávamos brincando e aos poucos fomos entrando na roda para seguir o mendigo João (professor de música). Voltando para escola, fizemos um BIS no salão e também foi muito bom. Os pais puderam visitar a nossa exposição de trabalhos: um grande painel de cacarecos inspirado na obra de Raimundo Rodrigues e um outro painel composto por trabalhos individuais também feito com material descartado. Mostramos nossas experiências, como a banana em decomposição, a composteira, um bolo feito com a casca da laranja e um chá feito com casca de abacaxi. Também tinha os nossos bonecos de sucata com suas histórias, um texto inspirado no Juanito (personagem de Antonio Berni) e as pesquisas que cada criança fez sobre soluções bacanas que já existem para reciclar e reaproveitar o lixo que produzimos. Foi demais!"
Texto coletivo

Quem produz o lixo na cidade?

As crianças pesquisaram os diferentes produtores de lixo, descobrindo que não somos apenas nós que geramos lixo na cidade. As fábricas, os hospitais, as lojas, as casas, as escolas, os restaurantes, as feiras, os shoppings são todos geradores de lixo nas cidades. Ficou combinado então que iriam se mobilizar para fazer panfletos e distribuir aos comerciantes da redondeza. Assim, melhor informadas, as pessoas poderão ajudar a cuidar melhor do lixo da nossa cidade.

Língua...
Obra de Antonio Berni

"Num sábado à tarde, Juanito estava soltando pipa e ficou um bom tempo fazendo isto. Estava triste, pois seu pai havia lhe dado uma bronca porque ele tinha ido à casa de um amigo sem avisar, deixando-o preocupado. Sem perceber, Juanito foi se afastando cada vez mais de sua casa, e pelo caminho foi encontrando muito lixo pelo chão. Quando se deu conta, viu que já estava bem longe e não sabia como voltar. E agora? O que fazer? Seu pai ia ficar uma fera. Soltou a pipa e tentou pensar numa saída..."
Texto coletivo

Este foi o início de um trabalho feito nas aulas de Projeto. Cada criança teve que inventar uma continuação para essa história. Neste texto não podiam faltar a letra maiúscula, as pontuações necessárias para dar sentido a história, a coesão das ideias e uma boa solução para o nosso Juanito voltar para casa e se desculpar com o pai. Mais uma vez o trabalho foi duro: revisar, melhorar, acrescentar e retirar ideias, perceber onde precisavam mexer. Depois de tanto trabalho, os textos foram lidos para todos do grupo. E que diversão foi apreciar as ideias dos amigos, conhecer novos jeitos de escrever e compartilhar inúmeras soluções para o mesmo problema. Quanta imaginação! Esse trabalho nos levou a entender que um bom texto é construído aos poucos; que as ideias mudam e evoluem de um dia para o outro, e que só revisando, rabiscando e alterando, conseguimos colocar nossos pensamentos no papel de maneira que o nosso leitor consiga entender.

Fábulas

Iniciamos a leitura de "Fábulas", de Monteiro Lobato. Conversamos sobre as especificidades desse gênero e todos ficaram bem animados. Cada criança escolheu uma das fábulas para treinar a leitura e apresentar em voz alta para a turma, cuidando da pontuação e entonação necessárias para a compreensão da história. Assim, durante todos os dias de outubro, tivemos leitores nos encantando com essas pequenas histórias que tanto nos fazem pensar. Na apostila "Fábulas", discutimos sobre os personagens que são animais e suas características não aparentes. Esta foi uma tarefa bem difícil. Precisamos parar e reler muitas dessas histórias, tentando identificar o jeito de cada bicho. Aproveitamos para pensar, também, nos amigos da turma, como são, com que animais de fábulas são parecidos e o que os deixa tristes ou felizes. Foi bacana perceber como esse grupo é amigo e atento ao outro.

Matemática

Família Gorgonzola, Jogos, Supermercados...

Começamos o semestre, dando continuidade ao trabalho de resolução de problemas a partir do livro "Os problemas da Família Gorgonzola". Criamos também algumas situações para discussão das diferentes estratégias usadas pelas crianças nessas resoluções. Isso permitiu a ampliação de recursos para cada criança, que entrou em contato com vários modos de pensar, enriquecendo assim seu repertório de estratégias.
Também recheamos as aulas com muitos jogos. Conhecemos um novo jogo que usa dados e cubinhos de madeira e consiste em compras e trocas. Organizados em grupos, com um integrante representando o banqueiro, cada vez que alguém compra dez cubinhos, faz-se a troca por uma barrinha de valor equivalente. Ganha quem completar dez barrinhas para trocar pela "Placa Dourada"! Dessa maneira brincante, a adição e o sistema de numeração ocuparam nossas tardes. Os momentos dos jogos de tabuleiro também foram bem especiais. A turma se dividia em grupos que podiam escolher os joqos que quisessem. Detetive, Senha, Lig 4, Pega Varetas, Rumikub, Combate, Cara a Cara, Jogo da Memória, bingo, entre outros, transformaram a nossa sala de aula. Falatório, discussões, contagem de pontos, raciocínios e estratégias fizeram parte desses momentos.
Lidar com o dinheiro que vem no encarte do livro didático é muito divertido. As crianças fizeram contas de cabeça, conheceram as equivalências de valores, cédulas e moedas, e nos surpreenderam com as operações que são capazes de fazer. Ir à feira, pechinchar, contar as moedas do cofrinho, pagar o supermercado com dinheiro e deixar o cartão de crédito em casa são boas maneiras de se aproximar de contas que envolvem dinheiro. Quanto mais experiências as crianças tiverem com moedas e notas, trocos e arredondamentos, mais espertas ficarão!
Brincar com os encartes de supermercados também foi bem divertido. Neles, encontramos muitas informações, como por exemplo, a data de validade das ofertas, as diferentes formas de pagamento, logomarcas, slogans e, é claro, o preço dos produtos. Usamos esse material para estimar preços, montar o seu próprio supermercado no caderno, separar os produtos por seções, fazer compras, contas e arredondar centavos. Ainda para trabalhar e aprender a fazer cálculos com dinheiro e centavos, construímos um Mercado para brincar com as crianças da F1. Juntamos muitas embalagens de produtos e os separamos como num supermercado de verdade. Depois, colocamos preço, fizemos algumas promoções e preparamos um encarte bem bonito para que eles pudessem consultar e decidir o que comprar. Depois de treinar as compras e contas em sala de aula, contar o dinheiro do caixa, chegou o dia da brincadeira com os "compradores" tão esperados. Todos concentrados, organizaram as seções, o dinheiro e começaram a brincadeira. Foi muito divertido e o lucro, bem grande!

Inglês

What a wonderful world!

Para retomar o ritmo do primeiro semestre e recordar algumas palavras do vocabulário estudado, cantamos e trabalhamos a letra da música “What a wonderful world”, na voz de Louis Armstrong. As crianças adoraram reconhecer as palavras e aprenderam outras novas. Revisitamos também um antigo sucesso do Hit Parade da turma: “Singing in the rain”. Desta vez , diferente do ano passado, aprendemos a letra da música e trabalhamos seu conteúdo. Agora que as crianças estão bem mais sabidas, puderam compreender melhor o vocabulário e explorar de forma mais intensa as situações que a música apresenta.

Letters and words

O foco do nosso trabalho neste segundo semestre foi desenvolver nas crianças maior habilidade para escrever e ler as palavras em inglês. Através de diferentes atividades, foram entrando em contato com a sonoridade das consoantes e das vogais, fazendo observações, comparando o inglês e o português, levantando hipóteses e estruturando melhor as construções fonéticas. Para estimular esse processo, várias atividades foram propostas com letras móveis e no computador. O exercício de formar palavras, com as letras de madeira ou recortes de revista, os jogos de Forca ou Caça Palavras foram sempre animados e disputados, contribuindo para o desenvolvimento do grupo.

Learn and play

http://www.starfall.com/n/level-a/learn-to-read/load.htm?f

More Letters

Depois de muitas visitas ao site “Learn to read”, as crianças discutiram novas hipóteses a cada proposta de leitura e escrita com o alfabeto feito na escola. O resultado desse trabalho trouxe avanços ao processo de aquisição da língua inglesa.

Computer activities

A sala de informática foi muito importante durante o nosso percurso. Serviu para trabalhos de pesquisa, que resultou em um memory game de imagens e palavras correspondentes, e também para brincarmos em sites educativos, formando palavras e relacionando-as com as imagens. O trabalho foi feito em duplas, no máximo em trios, para que as crianças pudessem trocar informações e conhecimentos, discutindo as respostas e aprendendo com essa interação.

Books in the library

Alguns livros do Dr. Seuss foram usados durante o projeto e permaneceram na estante durante algumas semanas para serem relidos e manuseados. As crianças se encantaram com a simplicidade das rimas e pequenas histórias conseguindo uma autonomia através da confiança no que já aprenderam. Os sites que visitamos na sala de informática, também foram bastante explorados na biblioteca para que as crianças pudessem ouvir e repetir o som das palavras, lendo e participando com o grupo todo.

Resume

É interessante observar a facilidade com a qual as crianças se apropriam das novas palavras e das relações que estabelecem entre a escrita e a pronúncia das mesmas. O vocabulário do projeto “In the city” trouxe algumas palavras de escrita idêntica ao português, como hospital e cinema, e outras tão similares e próximas como museum e bank. Essas percepções geraram discussões interessantes e uma curiosidade imensa. Perceber que a letra H tem som igual ao nosso R e que o R, às vezes soa estranho; falar a palavra como se fosse com E, quando na verdade se escreve com A, entre outras tantas, transformaram as aulas em grandes e animados debates.

Artes

Raimundo Rodriguez

Fomos a Niterói visitar, no SESC, a exposição de Raimundo Rodriguez. As crianças aproveitaram cada momento do passeio e ficaram encantadas com o trabalho minucioso do artista que transforma rejeitos em arte. Murais preparados com objetos variados que iriam ou já estavam no lixo e outros feitos em papelão, com tinta e colagem, chamaram a atenção de nossos alunos. Curiosos, queriam saber a história de cada objeto e o que motivou o artista a trabalhar com esse material.
Na escola, ao longo do semestre, procuramos fazer nossos trabalhos de artes inspirados na filosofia de Raimundo Rodriguez. Todos cataram o que chamamos de "cacarecos" em casa. Brinquedos quebrados e coisas velhas que seriam descartadas vieram para sala de aula e viraram arte.
Produzimos um painel junto com as outras turmas de F2, tentando dar um novo sentido para aqueles objetos que já não tinham valor, mas, com certeza, tinham muita história para contar.

Teatro

Lixo no Teatro

Como trazer a temática do lixo para as aulas de Teatro? Propusemos uma grande brincadeira: a construção de personagens feitos de sucata.

Boa parceria!

Depois de confeccionarem, em casa, bonecos de sucata, as crianças foram desafiadas a escrever uma história de vida para sua criação. Idade, curiosidades, preferências e casos particulares deram um significado especial aos bonecos.
Em grupos, criaram diálogos para esses personagens e trouxeram para as aulas de Teatro. O trabalho foi grande; o tipo de texto não era nada fácil. Revisar, melhorar, perceber o que falta, acrescentar e reescrever são ações que fizeram parte desse processo ao qual nos dedicamos grande parte do semestre.
Nas aulas de teatro, cada grupo encenou sua história para o resto da turma. Os atores, que manipulam os bonecos, deviam cuidar da expressão dos sentimentos dos personagens através de sua voz, pois o boneco não tem expressão. Foi um trabalho duro, mas tão divertido que filmamos as cenas para guardar no arquivo da escola. As crianças puderam assistir esse material gravado e avaliar no que ainda precisavam melhorar, como movimentação do personagem e entonação da voz.
Depois disso, na aula seguinte, convidamos outras turmas da escola para assistir a uma sessão de cada história.
Agora, os bonecos foram para casa fazer companhia ao boneco que as crianças ganharam de presente do Getúlio!

Festa de Encerramento

Encerrando o ano, contamos a história da peça da Festa de Encerramento. Nosso objetivo era que pudessem participar compreendendo o contexto e percebendo a importância do trabalho da turma para compor o todo. A turma sambou e nos ajudou a contar a viagem de Paulo pelas cidades do Brasil à procura de seu grande amor. Assim, as crianças se despediram das aulas de Teatro.

Música

Metalofones e composições...

Retornando das férias, incrementamos a prática de conjunto usando os metalofones. Assim, nos aproximamos das notas musicais, cantando-as, tocando-as e criando pequenas melodias. Desse processo, surgiu uma composição da turma, que recebeu o acréscimo de instrumentos de percussão, tocando frases musicais também sugeridas pelas crianças.

Sucatas musicais

Experimentamos a sonoridade de sucatas grandes como latas de tinta, garrafões de água, tonéis de plástico. O maior desafio foi reproduzir as frases musicais nesses novos instrumentos, fazendo esses sons soarem como música. Para inspirar e instigar o trabalho, assistimos a vídeos do Stomp em ação.

"Vamo Batê Lata!"

Durante um bom período, ensaiamos toda a cantoria e percussão da apresentação da Festa Pedagógica, tanto na escola quanto na pracinha.
A parceria com as aulas de Teatro também ajudaram bastante, afinal, as crianças enfrentaram um novo desafio nesta apresentação: Tiveram que encenar, tocar e cantar!

Estudando "O Passo"

Depois da Festa Pedagógica, nos dedicamos ao que chamamos de estudo individual. Dessa forma, as crianças se debruçaram sobre os exercícios do Passo e os apresentaram individualmente. Foi uma atividade importante, que necessitou bastante concentração, favorecendo a construção da autonomia e a ampliação dos conhecimentos da linguagem musical.

Composição da turma

Clique aqui para baixar a composição da turma num arquivo PDF.

Expressão Corporal

Folhas Dançantes

Também quisemos trazer o lixo para o contexto da dança, utilizando, inicialmente, o orgânico. Exploramos sensorialmente folhas secas de amendoeiras. Em seguida, criamos movimentos variados em deslocamentos e posturas coletivas. Espalhamos o monte de folhas pelo espaço e percebemos os diferentes desenhos formados no chão. A partir dos espaços criados pelos agrupamentos de folhas, exploramos passos, saltos, planos e deslocamentos diversos.

Vias de Movimentos com Pet Colorida

Aproveitamos garrafas Pet, cheias de água colorida, alinhando-as para formar corredores. Exploramos diferentes possibilidades de movimento na horizontal, na vertical, nas diagonais, em zig zag e saltando livremente, sem derrubá-las. Foi bem interessante e divertido trabalhar com tantos conteúdos e desenvolver habilidades numa dinâmica lúdica e animada.

Exploração de Sucatas

Diferentes sucatas foram também exploradas, favorecendo a variação de gestos e ações. Realizamos propostas de criação de movimentos, inspirados nas características físicas dos objetos. As composições foram enriquecidas com a utilização de qualidades opostas, trabalhadas nos aquecimentos do início da aula, como leve/pesado, redondo/reto, fluido/segmentado, frente/costas.

Festa de Encerramento

"Eu não tenho onde morar...é por isso que eu moro na areia". No balanço desse samba embalamos nossas últimas aulas ensaiando os passos da dança para a Festa de Encerramento. Buscando modelos que pudessem apoiar nosso processo de criação, assistimos a um vídeo do Chico Buarque, cantando "Essa Moça tá Diferente", em que aparecem algumas crianças sambando com muita competência. Aos poucos, a turma foi se soltando para a malemolência do samba.

Educação Física

No Pereirão

Começamos o segundo semestre com força total embalados por nossos jogos, brincadeiras, muita alegria e energia. Continuamos nossas vivências psicomotoras através de alguns jogos já conhecidos como handebol, basquetebol, futebol, queimado, pique-bandeira e bumbumrundynha. As crianças puderam desenvolver as ações motoras de correr, parar, saltar, lançar, quicar, chutar, além de testar seu equilíbrio e as mudanças de direção. Como resultado foi possível observar maior coordenação e noção de tempo, melhor locomoção pelo espaço e diferentes possibilidades de movimento. Com tanta agitação e euforia em nosso Pereirão, investimos no trabalho mais cooperativo, a fim de mostrar às crianças que podemos jogar “com o outro”, incentivando as parcerias e competição de maneira saudável. Assim, surgiram novas regras para algumas atividades. As crianças passaram a argumentar mais sobre cada jogo e sobre o que podíamos fazer de melhor para cada grupo, sem esquecer o respeito ao outro e às diferenças. Não podemos esquecer o quanto foram ricas nossas conversas com a Cecília nas Tribos, contribuindo ainda mais para a dinâmica de nossas aulas.
O retorno da Renata foi tranquilo e as crianças a receberam com muita alegria. Para fechar o ano, planejamos mais um Pereirão sobre rodas e conversamos e avaliamos as atividades desenvolvidas no semestre. A turma se manteve atenta às atividades esportivas e brincadeiras no Pereirão. São rápidos quando o assunto é organizar os times, mostram muita alegria e disposição para buscar novas possibilidades em nossas aulas.

Tribo

A Criança e a Cidade

Neste segundo semestre, ampliamos o conhecimento adquirido anteriormente sobre as “regras de convivência na escola”. Com o intuito de que o assunto expandisse para fora da escola, várias dinâmicas e muitas conversas foram realizadas. O projeto institucional "Das aldeias às grandes metrópoles" fez com que a cidadania ficasse no foco das nossas discussões. Assim, tivemos contato com algumas leis que todos precisam respeitar para viver em uma cidade grande. A partir do ponto de vista da criança, analisamos criticamente os espaços da nossa cidade criados pelos adultos e oferecidos às crianças. Algumas indagações foram feitas: "O que tem de bom para as crianças na nossa Cidade?" "O que falta no Rio de Janeiro para ser uma cidade melhor para as crianças?" e ainda, "O que tem de ruim em nossa cidade e que precisa ser cuidado?". O processo vivenciado foi bastante curtido e, ao final, os alunos produziram um mural coletivo que esteve exposto no pátio da escola com desenhos e opiniões.

Alguns Encontros

As brincadeiras nos recreios e o futebol foram assuntos tratados em nossos encontros. Inicialmente, recebemos a Vivi, auxiliar responsável por esses momentos, dinamizadora dos jogos e das propostas para o pátio. Vivi nos apresentou várias novidades: brinquedos novos comprados durante as férias de julho e propostas para que todos se divertissem a valer e pudessem desfrutar destes momentos com maior prazer. Janaína, professora de Educação Física, que acompanha as crianças nos momentos de Pereirão também esteve presente em algumas Tribos ouvindo a todos, listando sugestões e buscando soluções para os problemas encontrados.

Desejos e mais Desejos

Em clima de muita emoção e concentração, nos despedimos, como sempre, em um ritual de leitura e queima de desejos que ficaram guardados, desde a primeira Tribo do ano até o nosso último encontro. É comum muitas crianças esquecerem dos desejos que escreveram e acharem graça disso. Nessa hora, os olhos brilham! Alegres ou tristonhos comentavam no grupo se os desejos haviam sido ou não realizados, se ainda precisavam de um tempo maior ou mais empenho para que fossem alcançados.

O término do Ano

Esse é um momento muito especial para esse grupo. Agora, já se percebem crescidos e se veem diante de novos desafios, expectativas e responsabilidades. Alguns conflitos, ao longo desse tempo, foram vividos na turma, mas puderam elaborá-los a medida que conversaram, falaram sobre sentimentos variados. Assim, fortaleceram a esperança de continuarem muito amigos no ano que vem, aqui na Sá Pereira.

Concluindo

Que venha 2011!

Quando chega no final do ano é que nos damos conta de como tudo passou tão depressa. As crianças cresceram, amadureceram, aprenderam e se conheceram ainda mais. Olhando as fotos do início do ano, pudemos perceber o tanto que mudaram e quanto tempo se passou. Durante o ano de 2010, conversamos muito sobre a escola. Nela, aprendemos um pouquinho de tudo: Matemática, Português, Inglês, Música, Expressão Corporal, Teatro, Projeto, Artes etc. Mas, entremeado a esses saberes, acontecem as relações e tudo que vivenciamos através delas.
Foi muito gostoso e gratificante compartilhar com este grupo as emoções vivenciadas neste ano. Uma turma envolvida, entusiasmada com seus saberes e não saberes, curiosa e dedicada a cada aprendizagem vivida.