Pedra sobre Pedra, um Mundo em Construção

Os sinais do homem construtor são encontrados desde os vestígios das fogueiras, construções efêmeras, das pinturas rupestres e dos primeiros utensílios para os mais variados fins.

A casa, primeiramente encontrada pronta, nas cavernas e recantos nos sopés das montanhas, passou pelas cabanas de palha, gravetos e ossos, começando a ser construída, verdadeiramente, quando o homem aprendeu a plantar e a criar animais. Assim ele começou a imprimir sua marca na superfície terrestre.

São milhares de anos de história na busca de estruturas que de início visavam apenas proporcionar proteção contra os elementos do ambiente, mas que foram ganhando diferentes funções e atributos estéticos a partir da necessidade humana de fazer arte. Da casa para os templos, para os palácios, para as fortalezas. As construções vêm sendo utilizadas para unir o homem ao homem e aos deuses; ao mesmo tempo que vêm sendo utilizadas para separar os homens e para a defesa dos diferentes.

São milhares de anos de construções que possibilitaram os encontros, as trocas, o amor, a reverência ao divino, a busca da liberdade, mas também a segregação, a guerra e a dominação dos povos.

São, hoje, moradias, prédios comerciais, indústrias, usinas, ruas, estradas, viadutos, pontes, túneis, muros, templos, aparelhos culturais e de infraestrutura, monumentos, praças, parques, instrumentos de comunicação...

Espaços que ocupamos e transformamos, locais onde estamos; a base física de nossas alegrias e tristezas, decepções e esperanças.

Suas transformações unem o nosso passado ao nosso futuro. O aqueduto que atendia a cidade é hoje o caminho do bondinho que, novo, já virou antigo. As construções encerram a marca de cada tempo, passado e futuro e, simultaneamente, são o nosso presente.

Da nossa janela vemos muito. Alguns podem até ver o mar, as montanhas! Mas sempre vemos gente, passeando, trabalhando... Vemo-nos transformando e em transformação, adaptando-nos, construindo...

Mas o que é uma construção? O que está em estado natural e o que foi construído pelo homem? Que construções conhecemos em nossa cidade? Quem as constrói? Para que servem? Por que elas têm aspectos tão diferentes? Que materiais são usados para construir? Por que algumas são demolidas e outras preservadas? O que é um monumento? O que há no caminho de casa?

Precisamos pensar sobre o espaço em que vivemos e o espaço que queremos. Observar nossa cidade e suas contradições, defender sua dimensão pública, pois não existe cidade que possa funcionar quando suas qualidades são privilégio de poucos.

Precisamos nos engajar num processo de democratização do espaço urbano, desejar uma cidade para todos.

Precisamos entender o que estamos recebendo, que mensagens encerram nessas construções, para tentar descobrir o que queremos e o que poderemos deixar.

O que será que precisamos construir?